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[Entrevistas] - Fábio Ventura



Esta entrevista está disponível n'Os Livros Nossos.
   
1)- Para os leitores ficarem a conhecer-te um pouco melhor: Quem é Fábio Ventura?

O Fábio Ventura é um jovem sonhador que um dia se atreveu a ir mais além e partilhar algumas das suas histórias com o mundo.


2)- Como surgiu a ideia de escrever Orbias na perspectiva feminina e de duas personagens tão distintas?

Sempre tive uma preferência especial por personagens femininas, seja em livro, filme ou noutra plataforma. Além disso, escrever sob o ponto de vista de uma rapariga representava um desafio que me iria enriquecer enquanto autor e pessoa. Por isso, acabei por unir o “útil ao agradável”. Quando comecei a escrever esta história nem sequer pensei na hipótese de ter um rapaz como protagonista.
O facto de ter escolhido duas vozes femininas para narrar a história foi uma questão estratégica. Achei que a história ficaria mais complexa e mais envolvente se alternasse entre as duas personagens. O leitor teria à sua disposição duas visões diferentes daquele mundo e o suspense aumentava até surgir um novo capítulo de cada uma delas.

3)- Como surgiu a escrita na tua vida? Foi uma necessidade, um desejo, um chamamento?

Eu diria que foi um pouco de todos. Desde pequeno que sempre tive uma grande imaginação, mas nunca tinha colocado a hipótese de materializar as histórias que surgiam no balão acima da minha cabeça. Durante a faculdade, descobri a minha paixão pela escrita, a liberdade e o escape que representava, mas também a possibilidade que dava para partilhar as minhas histórias com os outros. Portanto, a escrita acabou por surgir depois de uma união entre todos esses elementos.

4)- Os Leitores têm notado um crescimento maturacional na tua escrita ao longo de Orbias. Para além do teu curso que incita a leituras diversificadas e ajuda a aperfeiçoar a escrita através da prática, que mais fizeste e tens feito para continuar a melhorá-la? Aderiste a algum Desafio ou Concurso Literário?

A evolução na escrita ao longo do próprio livro é algo que os leitores têm notado bastante. Claro que quando escrevi não me apercebi disso, mas talvez tenha sido um processo natural. No entanto, também pode estar relacionado com a evolução das próprias personagens. Elas começam como um pouco superficiais e infantis, mas vão amadurecendo conforme os acontecimentos da história. No segundo volume, isso é ainda mais visível. E foi intencional. Mais do que uma história de fantasia, os livros Orbias são fundamentalmente a história da Noemi e do seu crescimento e evolução.
Relativamente à escrita, até agora nunca tirei nenhum curso específico ou aderi a desafios literários. Senti que o meu curso me deixou com uma boa preparação a nível da escrita e criatividade. Mas obviamente que trabalho a escrita de outras formas, nomeadamente através da prática (especialmente se escrever noutros géneros ou estilos), através da leitura de alguns livros sobre escrita, mas também através de um bom conhecimento do meio literário.

5)- Consideras que o contexto influencia a criatividade na hora de escrever? De que forma o teu curso influenciou a escrita de Orbias?

Penso que sim. Eu escrevi uma primeira versão do Orbias durante o curso. Assim que saí da faculdade, regressei ao livro e percebi que essa versão estava fraca e conseguia fazer melhor. Tinha evoluído ao longo do curso. E foi aí que surgiu uma segunda versão, a definitiva.
Penso que todo o ambiente de leituras, escrita e criatividade podem ter influenciado a decisão de começar e continuar a escrever. Não é o aspecto mais importante quando escrevemos, mas o contexto pode ser fundamental para que utilizemos todo o nosso potencial. No entanto, quando escrevemos, todo o mundo à nossa volta desaparece, entramos naquele mundo só nosso. Nesse caso, temos capacidade para escrever independentemente do contexto em que nos encontramos.

6)- Como autor que ultrapassou dificuldades, o que achas que poderia ser feito para mudar o paradigma dos portugueses em relação aos escritores portugueses – especialmente do género em que te afirmaste, Fantástico?

Há um longo trabalho a ser feito. Quando fui lançado no mercado, notei uma certa melhoria e crescimento no que toca a autores portugueses. Com a crise que enfrentamos e com todas as mudanças no mercado editorial, estamos a assistir a um retrocesso. Grande parte dos autores vê-se sozinho e sem qualquer apoio e os obstáculos acrescem. Uma das soluções que vejo é a união entre os autores portugueses, nomeadamente na criação de associações e instituições que os protejam. É como a velha máxima, “a união faz a força”.

7)- O que é mais gratificante enquanto (jovem) autor?

Diria que é o contacto com os leitores. Sendo um jovem a escrever para jovens, há uma certa identificação que os motiva e, apesar do peso da responsabilidade, tenho prazer em servir de modelo para alguns leitores e aspirantes a escritores. Por outro lado, tendo começado bastante cedo no meio literário, sinto que tenho bastante tempo e liberdade para crescer enquanto autor.

8)- Em relação aos familiares, amigos e colegas de trabalho, tiveste receio do que pudessem dizer da história e respectiva publicação? Como lidaste com isso?
Não tive muito receio, embora tenha escondido o facto de estar a escrever um livro até terminar. Claro que sendo pessoas próximas, estava com algum receio das suas opiniões, mas confesso que tinha ainda mais medo dos leitores no geral. Apesar de tudo, é uma espécie de “filho” que está a sair do nosso colo para ser lançado ao mundo.

9)- Tens algum projeto em mente para o futuro?
Neste momento, tenho um livro terminado, que escrevi há cerca de um ano, e que aguarda uma data de publicação por parte da editora. Não posso adiantar grande coisa sobre a história, mas posso dizer que é muito diferente dos dois Orbias. Estou também a preparar-me para começar a escrever o quarto livro. No meio de tudo isso, vou escrevendo pequenas histórias e explorando outros géneros, estilos e plataformas.

10)- Uma última pergunta antes de darmos por terminada a entrevista: Queres deixar algum conselho ou alguma dica aos nossos leitores, jovens escritores e aspirantes a?
O maior conselho que dou é nunca desistir. A área da escrita consegue ser bastante dura e frustrante e é importante não desistir à primeira ou segunda derrotas. Para além disso, é importante praticar a escrita, escrever muito, explorar outros estilos e géneros, nunca deixando de ser fiel ao nosso próprio estilo e criatividade. E para melhorar a escrita, nada melhor do que ler muito e conhecer bem o mercado editorial. É fundamental para aperfeiçoar o nosso talento.

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