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[Epifanias] - Bloqueios - Parte I

(Preparem-se porque a Deusa da Inspiração - ou da rabugice - esteve comigo, por isso, está um bocado grande! Mas não deixem de ler, gostava de saber a vossa opinião sobre o assunto.)


Tenho a dizer: 

Para os que não escrevem, não deixem de ler o texto! Se almejam escrever, façam-no. Uma dica: antes de o fazerem, pesquisem muitas dicas, conselhos e sites sobre o assunto. Vai poupar-vos algumas dores de cabeça e pode ser que vos ajude nas horas de maior bloqueio. Apesar de escrever ser gratificante, é também uma actividade solitária! Agora já não é tanto assim... Mas é, por vezes, angustiante - no sentido em que se torna frustrante não conseguir passar para o papel o que temos na mente. Não vos quero desanimar - what can I say? Tenho dito... Os "artistas" têm queda para o drama.

Para aspirantes a escritores… como eu e para os que já são autores publicados, tenho a dizer algo que certamente já não deve ser novidade:

Escrever (histórias) não é  fácil.

Ninguém disse que era. Ou se disse, não conheço. Sorry...
Mas se disse - e não me interpretem mal, por favor. Eu sou apenas uma mera pessoa que escreve, ou que tenta escrever e esta é só uma opinião - não sabe verdadeiramente o que é escrever e o que isso acarreta.  

Bom, devem estar a pensar "que grande lata... quem é que ela pensa que é?". Bom, estes são os meus Devaneios que estou a partilhar com quem me está a ler. E isso custa-me bastante. A parte do meu compromisso com este meu blogue foi escrever, muito ou pouco... neste caso, muito, mas todos os dias um bocadinho, e mostrar a alguém. De um lado, tenho o medo a dizer "foge, apaga e não postes isto. Estás louca?". Do outro, tenho a coragem, ou a insanidade, a dizer-me "Que se lixe. Vai fazer-te bem.". Não posso agradar a todos - principalmente, quando nem sempre me agrado a mim própria - e não posso contar com que todas as opiniões sejam iguais às minhas. Que aborrecimento que isso era! Às vezes, nem eu própria acredito piamente em tudo o que escrevo. Mas preciso de escrever. Acalma-me e é como uma descarga de adrenalina. 

Quanto a escrever "histórias"...

Escrever toda a gente sabe (excepto os iletrados, fora de brincadeiras), o que não significa peremptoriamente que se saiba escrever bem. Não digo isto, de forma arrogante, como quem detém um conhecimento soberano da língua portuguesa. Só tive 16 – 15,9V - no exame de Português e nem sei bem como – verdade! Estou a ser sincera. Foi uma questão de sorte. Apanhei a era em que dar boas notas e o facilitismo estavam muito na moda (não quero, de todo, ofender os Professores que fazem um trabalho magnífico - alguns!). Não tenho muitos conhecimentos - nunca tirei um curso de línguas ou literatura, nunca fui a workshops nem a mini-cursos - e acho que se torna óbvio. Ainda se torna mais com o A.O. (yeah, right... o que é que isso tem a ver?, podem estar a perguntar-se. Well... Tem um bocadinho a ver!).

Mas é um facto o que disse. Podemos escrever sem erros ortográficos, mas pode faltar-nos vocabulário variado, fluido e atractivo. De que nos serve aí escrever sem erros? Bom, é melhor do que nada, sim. E o vocabulário vem por acréscimo, sem dúvida. E escrever sem dar erros é melhor do que escrever com eles – muitas vezes, aos pontapés (hellooo... tipo eu. Estejam à vontade para me corrigir. Preciso de aprender e melhorar.) - mesmo com um vocabulário todo janota…Quando digo isto, lembro-me que digo muitas vezes "escrevo só para mim, não pretendo publicar". Pois, isto é tudo muito bonito... então por que razão estou com esta conversa *super* séria (a.k.a aborrecida) ? Bom... Tenho duas teorias.

A primeira é que gostaria realmente - do fundo do meu coração - que alguém me lesse, que alguém lesse o que eu escrevo (e não estou a falar dos posts). Talvez seja, outra vez, o meu egocentrismo, já muito famoso pelo blogue, a dar de si. Ou, talvez seja verdadeiramente o meu Desejo de Alma (Nota Mental: ainda tenho de descobrir porque dou este nome ao meu gosto pela escrita). Contudo, sem nenhum curso no currículo e com a paixão pela leitura/escrita recentemente reacendida, o receio tem falado mais alto. O receio que é um dos maiores inimigos dos escritores, aquela coisa horrível que os (nos?) chateia até dizer chega. O receio se não ser boa o suficiente. Uma verdadeira pedra no sapato. E, por isso, o Desejo não passa disso e fica sufocado. Não passo à acção.Oh boy... Bolas, sou mesmo complicada! Sorry...


A segunda é porque torna tudo muito mais real. Posso escrever para mim, mas hei-de certamente mostrar a alguém. Um dia, talvez... Oh, que caraças, que se lixe o talvez. Só de pensar em mostrar a alguém, sinto a adrenalina a percorrer-me de cima abaixo. A verdade é que todos temos um desejo - intrínseco ou não - de nos expressarmos e de nos sentirmos orgulhosos pelo que criámos. E gostamos de mostrar isso ao mundo e fazer erguer a nossa voz. Quer dizer, isto estou eu a imaginar... Nunca publiquei nada, nem sequer um conto. Corrijam-me, se acharem necessário, por favor. Preciso de aprender mais. Muito mais.

É por isso que gosto de escrever no blogue. Ao fazê-lo, estou a despir-me dos receios que me acercam a alma (poético, han? Talvez não, mas gostei. Juro que não fiz de propósito...) e já é um bom começo.

Por isso, fazendo o ponto da situação - caso se tenham perdido no meio de tantos devaneios, pela minha tagarelice - publicar não está nos meus planos, mas estou com esta conversa porque, para mim, escrever sem erros não significa que se saiba escrever bem. E se eu quiser mostrar a alguém, ou até mesmo deixá-lo só para mim - como um troféu da minha perseverança - e para encher ainda mais o meu pequeno ego, é bom que esteja bem escrito. Certo? (Lá há-de haver um ou outro erro - ou cem ou mil, que é bastante mais provável - a esborratar o quadro, mas isso é compreensível! E é para isso que existem Leitores Beta, revisores e etc, para nos ajudarem. São uns queridos!). Mas, ressalvo que, o vocabulário vem com a prática.

E ai vem o primeiro problema, o primeiro dilema. Um escritor tem de escrever muito, mas tem também de ler o dobro ou o triplo e variar os géneros que lê.  E o dia só tem 24h. Damn! Faculdade, estudar, ler, escrever, família, amigos, eu... (Dou-me por feliz - só um bocadinho pequenino, mesmo no fundo do meu ser - por já não ter namorado! Céus!). As minhas prioridades não têm de estar necessariamente por esta ordem, mas deixou-me sem fôlego.... Eu quero escrever, mas quero ter condições para o fazer. Por isso o dilema é: leio primeiro - mas ler a sério, não apenas um ou dois livros - ou escrevo? Ou leio e escrevo? Esta última opção deixa-me entre a espada e a parede. Verdade. Tenho um sério problema de organização e de raciocínio - penso imenso, para mal dos meus pecados. Credo!

A verdade é que escrevo todos os dias. Uma frase, um parágrafo ou um capítulopor dia (ok, estou a exagerar. Há muito que não escrevo um capítulo por dia. E aliás, acho que nunca o fiz!), no blogue ou na minha história, no facebook(eu sei, eu sei… what? Mas escreve-se, ora!) ou no Moleskine (é um caderno, geralmente preto - nunca vi de outra cor - que me foi dado a conhecer por uma conhecida que estuda Artes), mas não deixo de o fazer.

Um outro problema dos escritores ou aspirantes - credo, só me lembro do "aspira-gorduras, aspira-gorduras" - surge com os chamados bloqueios de escritor...

(Fim da Parte I).

Tenho quatro P.S.:

1 - Tive de dividir o texto, porque estava muito grande e a maioria não iria ler (e era muito importante para mim que o fizessem). Aqueles que chegaram até aqui - desconfio que tenham sido poucos - OBRIGADA!
2 - Vou começar a chamar "artistas" aos escritores. Ora... aspirantes?? Mas isto é o quê? Como considero a escrita uma forma de arte... não, uma forma de expressão, vou começar a tratá-los assim! Okay??
3 - Por que razão acho que se tivesse um curso ou fosse a workshops, isso faria de mim melhor escritora (ou artista)? Ter um curso significa que sejamos melhores? Quer dizer... supostamente, os alunos de Letras têm mais conhecimentos do que os restantes no que toca à língua. Supostamente.
4 - Agradeço à Vanessa Dias, Criadora da Revista eOPTIMISMO (ver post aqui) pela imagem com a citação =) "It's supposed to be hard. If it wasn't, everyone would do it. The hard is what makes it great" - A League of their own.

A Parte 2 não demora a chegar, mas o mais provável é: se acharam secante este Devaneios, vão achar o próximo também. O que é uma pena... :( - Nem para mim sou boa... já viram isto?

Comments

  1. Minha artista,
    começa lá escrever tudo que te vai na alma, só vai ser bom para ti e para quem te lê :))

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    Replies
    1. Obrigada querida =)))

      Espero que sim...

      Delete
  2. Ponto 1:
    adorei ler-te!

    Pontos 2 e seguintes:
    O que mais gosto na tua escrita é quando foges de um certo "formatamento" para uma forma muito mais livre, mais tua (tenho reparado também por outras coisas que escreves). Há como que um "que se lixe a forma bonitinha"... e aí surges tu e as tuas ideias, mais fiéis a ti própria (exemplo: "(...) Um dia, talvez... Oh, que caraças, que se lixe o talvez."). Por isso, acredita no teu potencial e não tenhas medo - como tu mesma dizes, será impossível agradar a todos, e na minha opinião eu acho que tens o essencial para ser uma grande artista! ;)

    Outra coisa que gostava de comentar mais em concreto e agora sobre o conteúdo: eu sou contra o mito de que "é preciso ler muito para escrever". Tenho ouvido isto imensas vezes e no outro dia uma editora/autora o dizia até na rádio... Eu acho que quando se parte deste pensamento, a escrita fica muito condicionada - deixa de ser livre. Vamos estar muito preocupados em detectar temas, formas de escrita, fontes... e na hora de escrever a nossa "obra", é tudo muito difícil, porque não sabemos sequer por onde começar ou então estamos muito baralhados com tudo... Eu venho tendo este problema há uns bons anos. Desde que pus na cabeça que "é preciso fundamentar", não produzo. As minhas professoras de Português estão até hoje convencidas de que eu leio muito; escrever para mim ocupava há uns anos um lugar muito especial. Não estava formatada por este mito... escrever era apenas uma expressão do meu "eu" e do meu pensamento. Além disso, eu nunca li muito... a não ser handbooks e livros técnicos... Não nego a importância da leitura na escrita, mas acho que não é uma condição "fixa" para se escrever ou para se escrever bem... neste momento estou a tentar desformatar-me e confesso que o teu blog, o da Isabel, o da Margarida, me têm feito pensar nisso e na necessidade de voltar à escrita, mas de uma forma livre.

    Ponto final, e mais importante: Obrigada por nos brindares com estes teus devaneios! :)

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    Replies
    1. Vanessa, muito obrigada pelo teu comentário. É muito gratificante saber que me leste, que gostas e que tens tempinho para comentar e que te dás a esse "trabalho" eheh ;)))

      As tuas palavras fizeram-me sorrir. Como disse, os "artistas" têm queda para o drama. Duvidar da minha escrita, está-me intrínseco. É irritante, mas é o que me faz tentar ser melhor. Com ênfase no tentar ;) Espero um dia conseguir alcançar o que tanto almejo ;) e é muito gratificante saber que não estou sozinha. Isso seria 10000 x pior.

      O blogue tem-me dado ferramentas para dizer as coisas como elas são, sem receios (ou a maioria deles, ser o mais possível sincera e, sobretudo, fiel a mim mesma e aos ideais que penso estarem correctos e adequados à minha pessoa.

      De facto, "para escrever é preciso ler muito" é um mito. Há quem tenha jeito e há quem não tenha. Pura e simplesmente. Pode-se ganhar em vocabulário e noutros campos mas é preciso mais do que isso. Eu tenho andado à volta disso, cega pelo que me dizem e por certas coisas que leio. Gosto de ler, mas gosto também de escrever. A verdade é - e talvez tenha colocado as culpas nesse mito generalista - não consigo escolher entre os dois. É durante as minhas leituras que me surgem as melhores ideias - sem, contudo, serem iguais às dos livros que leio - e que me apresso a escrever no meu Moleskine ou na primeira folha que me vier parar às mãos.

      Espero conseguir ler mais textos teus e que a escrita volte a ocupar esse lugar especial, pois sem dúvida que é uma excelente forma de expressão e de nos acalmar. Entre outras coisas.

      Gosto de saber que o meu blogue (o da Isabel e o da Ni) te tem feito pensar ;) é uma honra poder ajudar-te a encontrar esse caminho e espero mesmo que o consigas alcançar! Forma livre é a melhor. Não há (tantas) preocupações, dá-nos um prazer imenso, não há constrangimentos, nem pressões... É um mundo. Um mundo só nosso.

      Obrigada pelo teu agradecimento: não precisas de o fazer ;) é um prazer escrever e saber que o que escrevo é apreciado ;))

      Para a próxima há mais!
      beijinhos**

      Delete

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