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[Textos] - Poema

Caríssimos,

um dos desafios que lancei a mim mesma quando criei o blogue foi mostrar os meus escritos - por assim dizer, à falta de melhor palavra - mesmo que isso significasse levar com mil e uma críticas negativas em cima. 
Enfim, que dizer? 
Nunca passarei da cepa-torta se não aprender a ouvir os outros. Nunca passarei do princípio se não ouvir e aceitar as críticas e tentar melhorar com elas. Por isso, cá vai... 

Este é um poema que escrevi quando tinha 16/17 anos. Na altura, foi um escape. 

A primeira estrofe* é de um dos heterónimos de Fernando Pessoa. O poema está alojado no luso-poemas.net desde 2008.

"Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto
É com saudades de mim*

Quando olho o poente carmesim
Vejo tudo e pressinto
Que algo se aproxima
Do mundo, dos outros, de mim!

Não quero ser eu,
Não quero perder-me novamente!
Quero voltar a ter rumo
Do labirinto frequente!

Já senti as amargas lágrimas da tristeza
A escuridão sombria do desespero
A fraca luz da clareza
Não quero ser "eu" outra vez!

Não quero ser o "eu" que me mata
Quero ser o eu que nao me faz perder
Que me faz seguir na direcção certa
Tenho saudades do meu eu!

Um eu que quase ninguém viu...
Um eu que receio mostrar...
Um eu que quase caiu...
Na escuridão que teimava em perdurar!" 


Comments

  1. Olá Ray. Que queira ser você a ganhar a Poesia, pois agora, está na direcção certa; um eu que agora vemos, com muita qualidade, com sentimento, com amor próprio. Não receie, nunca, mostrar a sua bela poesia. Siga em frente, porque vai caminhando fazendo o caminho certo. Parabéns, Ray. Temos poetiza. Bem vinda ao rol dos novos poetas portugueses.
    Beijinhos poéticos,
    Arnaldo Teixeira Santos

    ReplyDelete
  2. Eu adorei... adorei a presença desta intenção de não querer ser "eu" e ao mesmo tempo querer ser um "eu" específico, um "eu solar"... Tens imenso jeito para este género... senti uma influência mista de Fernando Pessoa e Florbela Espanca, em termos de estilo... bem estou só a mandar postas pescada, não sou nenhuma perita em Literatura... mas é o que me fez sentir. :)

    ReplyDelete
    Replies
    1. Oh :)

      que bom que te fez sentir isso!
      Poesia, só gosto de a ler (e de a ouvir)... escrevi este poema (e mais uns quantos que pretendo deixar aqui) num momento de necessidade. Apenas saiu.

      Mas nestas coisas sou muito terra-a-terra, quando digo que não tenho jeito, é porque é realmente o que sinto! São palavras apenas, dispersas e colocadas de certa forma. Nem sequer rima, nem sei se tem musicalidade. A minha forma de o interpretar certamente não é a mesma que a tua, a vossa, que me leste/lêem, mas quando leio para mim este poema e os outros, perde a musicalidade que poderá ter... não sei se me fiz entender :P lol

      Delete
  3. Acho que te compreendi :) se calhar isso é uma sensação comum aos escritores (e quem sabe a outros artistas): nunca está perfeito ou bom para nós. Eu achei que tinha musicalidade e sinceramente não reparei se rimava... prendi-me na mensagem ou melhor dizendo... assim que comecei a ler, procurei colocar-me na "pele" de quem escreveu e tentei fazer "hipóteses" sobre o que poderias querer dizer ou estar a sentir quando escreveste o poema... Para mim, o mais importante num poema é esta capacidade, de fazer com o que o leitor tente buscar significado e vá para além do texto. ;) Acho que o conseguiste fazer!

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