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[Textos] - Sonho

Boa tarde!

Alguns dos seguidores mais atentos já leram que este não é o meu primeiro blogue. Desde meados de 2007 que mantenho contacto com esta realidade. O problema foi que nunca continuei nenhum dos que comecei durante muito tempo. Esperemos que este Desejos de Alma seja a excepção, até porque estou a adorar escre
Hoje, ao revisitá-los, encontrei no baú do Arquivo um texto da minha autoria que data de Agosto de 2009. Tinha eu, na altura, 18 anos. Escrevi este texto para um site - Escreva! - que penso que já não esteja activo. 

Ora leiam e digam de vossa justiça (lembrem-se, tinha menos 3 anos de idade e maturidade)! Não está nada de especial, mas gostei muito de o escrever ;))
Desafio:
Descreva-nos o momento actual que está a viver. Imagine que pára o tempo por vários minutos: descreva esse exacto instante congelado. O que vê? O que sente? O que faz? Descreva-nos a matiz da aurora, se a houver; transmita-nos, por exemplo, o que sente ao rodar a maçaneta da porta nesse instante eterno.
“Neste momento, perguntam vocês, onde me encontro? Não sei se vos saberei responder a tão vaga questão. Talvez… na imensidão do vácuo.
Como poderei descrevê-lo, se mal o vejo? É tudo escuridão.
Não sei o que vejo, não sei o que ouço, não sei o que sinto. Talvez medo, por estar sozinha? Talvez… ansiedade, por me sentir sufocada pela intensa escuridão? Não poderei responder correctamente a questões que me transcendem. É tudo tão… Não, não vou dizer confuso. Estranho. Sim, estranho. Essa palavra com um significado tão amplo e, contudo, tão certeiro, serve.
Estou no vazio e não consigo mexer-me. Sinto-me paralisada. Só mexo as pálpebras, a fim de conseguir fechar os olhos, uma acção involuntária. E, mesmo no silêncio do vazio, ouço a fraca voz do meu pensamento perdendo-se na sua imensidão.  
Subitamente, algo, ou alguma coisa, ilumina o espaço onde me encontro inserida. Lentamente, os meus olhos, semi-abertos, semi-fechados, adaptam-se à claridade que substituiu a escuridão. Agora, o espaço que, outrora, era negro, é todo ele preenchido por um cem números de cores.
A minha visão é preenchida por um local tropical. Verde, verde, verde. As janelas da minha alma são totalmente preenchidas por esta cor, inúmeras vezes. Ao fundo, no distorcido horizonte, consigo destacar um começo de um novo dia. Para meu bel-prazer, ou salvação, a aurora está a raiar.
A aurora que rompeu os negros céus está agora a subir, na sua alegria de cores. A sua matiz, como nenhuma outra, não pode ser descrita, tamanha é a sua beleza. Digamos que, só de olharmos para ela, somos preenchidos por um turbilhão de sentimentos. A vontade que me surgiu no pensamento foi o de alcançar aquela aurora. Como se algum dia fosse possível…
Mesmo sabendo ser impossível, tento mexer-me para tentar alcançar seja lá o que for aquilo. Faço um esforço para tentar mover-me. Nada. Tento outra vez, concentrando, desta vez, todas as minhas únicas forças naquele momento. Os meus músculos rígidos e, ao mesmo tempo, doridos por terem permanecido na mesma posição durante tantas horas, sentem o peso da quietude.
Centímetro a centímetro, consigo mover. Uma perna, duas pernas. Esquerda, direita. E, assim por diante. Mas, mesmo assim, não consigo alcançar aquele esplendor.  
Então, paro um segundo para tentar perceber… o porquê daquilo tudo. Sou de opinião que nem tudo tem de ter uma razão para acontecer, que há situações que simplesmente têm de acontecer para formar, numa só palavra, o nosso destino.
Mas… algo me diz que a razão pela qual fui inserida no vazio não foi natural.
Fecho os olhos… Sinto… uma intensa mágoa em cada parte do meu fraco, frágil corpo. Sinto cada parte do meu corpo a fragmentar-se. Sinto-me… perdida.
Só há uma razão para isso… Amor… Sofrer de amor.
Abro os olhos. A aurora já passou e deu lugar a um magnífico dia de sol que iluminou todo o local. Inspirando profundamente até não conseguir colocar mais ar nos pulmões, preparei-me para, finalmente, acordar.
Tinha sempre o mesmo sonho.”
E pronto... espero que tenham gostado...

Comments

  1. Gostei muito deste teu Sonho Ivonne. Vê-se que adoras escrever e tens uma paixão pelas palavras. Continua! Quero ler muitos mais texto escritos por ti. Bjinhos

    ReplyDelete
    Replies
    1. Obrigada Isa ;))

      Hoje escreveria de forma diferente, mas quando li, há coisa de uma hora atrás, senti-me voltar atrás no tempo e as lágrimas subiram-me aos olhos! Para continuar a escrever, preciso de sentir o que sentia na altura... e começo agora a recordar-me disso!

      beijinho**

      Delete
    2. Acredito que o escreverias de forma diferente, porque o tempo passa, a maturidade é outra e há mais experiências de vida. É normal olharmos para textos que escrevemos na nossa adolescência e sentirmos aquela nostalgia. Recorda-te desse sentimento e retoma a escrita ;) Bjinho

      Delete

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