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[Epifanias] - Quando a cabeça não tem juízo… um pequeno desabafo!

Hoje não venho falar sobre Devaneios relacionados com blogues, nem literatura e coiso e tal (acho que adoptei a expressão que, embora irritante, até tem a sua piada). Após estar eternidades a olhar para o ecrã sem saber o que escrever surgiu-me… algo pessoal.

A razão que permitiu tudo isso foi porque, ultimamente, tenho-me sentido em baixo para escrever os [Devaneios] à La Ray*. Não por não os ter. Continuo a tê-los. Safa… Tenho-os em maior quantidade principalmente quando estou em situações de maior stress, que é o caso –trabalhos e mais trabalhos para a faculdade e sem ter tempo nem sequer para me coçar, como se costuma dizer em bom português. Tenho-os em maior quantidade quando me vejo num mar de gente – que é o que acontece na faculdade - sentindo-me, na realidade, como se estivesse numa ilha deserta, completamente sozinha, completamente abandonada.

E tenho pensado muito nisso… na solidão. Na pessoa que fui, na pessoa que sou e na que gostaria de ser. Nas pessoas que me acompanharam e que, por mero acaso ou interferência do destino, deixaram de o fazer. Sinto raiva. Dor. Sofrimento. Raiva em duplicado. Novamente, dor. Uma vontade imensa de chorar que me enche o peito de tortuosas memórias e me percorre o corpo todo até à palma das mãos, culminando numa sensação curiosa no seu centro e que parece que me suga a vida a partir daí. Percebem a sensação?

Os meus dias têm sido melhores desde que tenho o blogue, desde que recomecei a ler, desde que recomecei a escrever com mais regularidade, desde que conheci pessoas fantásticas devido a este pequeno grande mundo … que, verdade seja dita, têm colmatado as perdas que tenho sentido. A perda de pessoas queridas, a perda de sensações, de sentimentos, de momentos… E de mim. Principalmente, de mim mesma.

Apraz-me dizer-vos que até tenho introduzido algumas piadas nos meus posts. Não têm visto? Como não??? São piadas secas, mas fiiine! Volta, estás perdoada, dizem vocês. Ou não… Eu bem avisei que eram secas e não foi à procura que afagassem o meu frágil ego que o disse. Tê-las introduzido nos posts, por si só já quer dizer alguma coisa, já que eu sou uma pessoa muito pouco interessante na chamada vida real.

Todavia… considero-me uma pessoa que dá demais. Dá demais de si aos outros. Talvez não tanto como gostaria – o voluntariado ainda não me saiu da cabeça e não deverá sair tão cedo, mas ainda não me inscrevi em lado nenhum. Mas o dar muito de mim fez com que, ao longo da vida, se aproveitassem de mim, mais e mais e mais, e me arrancassem bocados de forma imperceptível e não consensual da minha parte. Bocados que ficaram perdidos para sempre e que jamais saberei se os conseguirei obter de novo. Mas o pior… é que raramente são retribuídos da forma que eu preciso. Ainda por cima, sou exigente, diriam vocês. Não… Merda para a máxima “eu dou sem esperar receber”. Seriously? Are you f*cking kidding me? As relações são feitas de trocas. Sempre foram. Quando alguém olha para nós, ou sorri ou diz bom dia, nós retribuímos. Ok… na maioria das vezes. Está implícito ao ser humano. E se eu dou de mim e não receber, desintegro-me. Por isso, eu preciso dos bocados que me foram arrancados, que me foram tirados à força. Eu preciso deles. Preciso para continuar a viver.

É por isso que leio, é por isso que escrevo e é também por isso que me refugio neste mundo. De facto, a máxima que diz “Uma pessoa que lê, vive muitas vidas”, ou algo do género, é verdadeira. Sinto-me viva ao ler palavras escritas por outras pessoas. E, às vezes, até as minhas. Confortam-me. Sentir as emoções à flor da pele. Quem disse que o vento levava as palavras, deveria estar frustrado ou desiludido com alguém que disse algo por dizer. Mas as palavras são uma poderosíssima forma de comunicação. A única coisa que tenho para vos oferecer neste blogue são palavras. Boas, más, bem redigidas, mal redigidas… Que seja o que a minha aptidão para a língua determine…. 

Estou farta de dar e de ver tanta merda à minha volta. Estou farta de pessoas falsas, que dizem uma coisa à frente e fazem outra por trás. Estou farta. Eu não sou assim e não consigo compreender, por muito que esteja a estudar Psicologia. Sou humana, bolas!

Bom, o meu lado racional disse-me agora para me calar… o lado emocional já teve tempo de antena o suficiente. Caso contrário, ficaria aqui a falar coisas sem nexo e nunca mais acabava.
Perdoem-me o desabafo, mas são Devaneios e foi o que me surgiu agora… 

Comments

  1. O teu post tocou-me bastante (não, não estou a dizer isto para ficar bem ou porque é o que se deve dizer para parecer socialmente bem e para fazer amigos, ou para receber comentários simpáticos de volta...). Tocou-me realmente porque julgo que compreendo o que queres dizer e porque julgo sentir o mesmo que foste descrevendo. Desde que me lembro que me sinto desintegrada e não sei se as partes que fomos "perdendo" foi porque as demos aos outros ou se foi porque realmente as perdemos, deixaram de ser parte de nós porque tinham que deixar de ser... Para dar um exemplo concreto, também relacionado com o meu último post: antigamente eu conseguia fazer de conta que prestava atenção às aulas e era uma "menina querida" dos professores. Hoje em dia não consigo tolerar quase nenhuma aula e não consigo disfarçá-lo... eu pergunto-me: será que realmente eu quero voltar a ser quem era? Na verdade, no passado, eu fingia apenas algo que não era verdadeiro com o que sentia e queria... e não me permitia ser eu mesma. Se calhar hoje neste aspecto sou mais eu mesma, embora eu em parte tenha a sensação que não, porque não sou igual ao "antigamente"... Ou seja... será que realmente queremos voltar a ser o que éramos? Será que o que éramos era realmente o nosso "eu"? Eu não quero voltar a ser "banana"... eu antes também era mais simpática para as pessoas e hoje há muita gente que não gosta de mim à primeira vista, ou porque pareço arrogante, ou porque lhes pareço outra coisa qualquer... na verdade eu só não consigo continuar a ser a miss simpatia quando na realidade não gosto do que vejo, do que ouço ou do que leio... e normalmente tenho que dizer quando não concordo, que é quase 99% das vezes. Há consequências... mas o que é que é realmente a persona e o que é que é o eu? Sê tu própria e protege o teu eu: tenho a certeza de que dessa forma não voltaram a aproveitar-se de ti porque tu mesma vais conseguir saber quando dizer "não" ou "não quero isto para mim". Constrói o teu espaço e não tenhas medo de que os outros não gostem! A Psicologia ajuda-nos a compreender e também nos pode ajudar a viver: é uma questão de tomarmos consciência do que aprendemos com ela, tal como diz Schopenhauer.
    Bem espero não me ter confundido toda e não ter fugido ao tema, mais uma vez entusiasmei-me... e obrigada por este teu post, aprendi muitíssimo :D

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