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[Textos] - Um meio para atingir um fim

Tenho plena noção da pasquice (esta palavra existe? Não me parece...), ok, paspalheira (isto vai de mal a pior, vou parar) que tenho andado a escrever para o Nanowrimo... E só lá vão dois dias! E não, não é o perfeccionismo a falar, é mesmo o realismo! Eu sei a m*rda que faço, caramba, não sou uma tonhó!

A verdade é que o Nanowrimo é um meio para atingir um fim... Para conseguir terminar o projecto que tem sido o da minha vida...

Deixo-vos alguns excertos desse projecto que escrevi com todo o coração... E apraz-me dizer que, pelo menos, destes excertos gosto. Gosto muito.


"Estava a arremessar um golpe contra o holograma e, quando aquela voz masculina rompeu o silêncio que imperava na sala onde me encontrava, sobressaltei-me. Virei-me para onde julgava estar a origem da voz e o holograma físico, específico para aqueles treinos, atingiu-me com um golpe mal encaixado nas costelas que me fez cair. Prostrada no chão, mordi o lábio com tanta força que senti o sabor enjoativo a sangue invadir-me a garganta. Com dificuldade em respirar, vi uma imagem distorcida." 


"Pestanejei face à pergunta da minha mãe que olhara para dentro do meu quarto, e fui puxada para a realidade. Encontrava-me sentada na cama ainda com o corpo reluzente do suor e o peito a arfar com suaves e ritmadas ondulações. Já estava a voltar ao normal. Nestes dias, em que tinha aquele misterioso pesadelo que me atormentava, tinha dificuldades em acordar. Abria os olhos apenas ao terceiro chamamento. Acordava a chorar convulsivamente, a esbracejar e a espernear e culminava, por fim, num grito agudo e longo. Um grito tão angustiante que fazia a minha garganta dilacerar de dor. Depois, sentava-me na cama e tentava acalmar-me. Hoje, porém, não tinha gritado. O que não excluía a dor de garganta que sentia." 

"Queria dizer-lhe que sim, mas ao tentar fazê-lo, a minha voz não saiu. As minhas forças desapareciam a olhos vistos e a minha voz fazia questão de as acompanhar. Engoli em seco, mas depressa me arrependi. Doía-me terrivelmente a garganta. Parecia que tinha uma armadilha de farpas por toda a minha laringe. Eis a razão do meu angustiante – mas já tão bem conhecido - mutismo. Ao invés de tentar falar novamente, assenti com a cabeça e ajeitei-me à borda da cama para não cair." 

Comments

  1. Gosto, gosto e gosto. Parece-me uma história interessante mesmo!
    E possas gostas mesmo de escrever na primeira pessoa :P

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    1. Pois gosto :S esta história tem um historial por trás que nem te conto! mas ao escrever na 1ª pessoa é-me mais fácil entrar na história! De outra forma, empeno (e descobri isso da pior forma!)

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    2. Ahahah tens de me contar agora O:! E percebo perfeitamente LOL eu é mais a terceira pessoa porque sou muito controladora, gosto de poder pegar em tudo à minha volta e não ficar limitada por um ponto-de-vista só.

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  2. Woooooow *_*

    Vais ficar feliz por saber que, quanto ao primeiro excerto deles todos, senti-o na pele. Como se a personagem fosse eu. Foi como se tivesse feito uma mini-viagem a outro corpo... e voltei (muito) satisfeita!...

    O segundo também gostei. A parte do corpo reluzente de suor e o peito a arfar deliciou-me.

    No terceiro foi a armadilha de farpas na laringe que me arrebatou. Saber que a razão para tais dores era, no final de contas, um mutismo bloqueador de palavras... wow. Wow. Agora sou eu que estou muda.

    Adorei, adorei, adorei! Tens mais do que a minha aprovação para continuar :P

    Sabes que eu sou muito sensível. Basta alguém dizer-me (na brincadeira) que tenho uma minhoca a subir-me pela perna acima para eu ficar cheia de impressões. Quando me descrevem uma sensação, ela replica-se automaticamete em mim. Então se for bem descrita - como é o caso - impressiona-me ainda mais!

    Também tenho o hábito de escrever histórias na primeira pessoa. É um teletransporte para dentro da imaginação muitooo fiel!

    Um grande beijinho Ray * e não pares!...

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    Replies
    1. Não tenciono parar, querida M.

      O pior é transpor para o papel o que tenho na cabeça! E organizar o texto que já tenho (+50.000 palavras)...

      Ainda me falta muito mesmo para acabar, mas fico satisfeita por ver que afinal os textos não são assim tão maus e que afinal poderão vencer!

      Fiquei babada por ver que conseguiste sentir o que tentei transmitir, não há sensação melhor do que essa: a de sabermos que fomos bem sucedidos!

      Um beijinho* e obrigada pela força!

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  3. Gostei! É muito interessante! Quero ler o resto! Eu, pelo contrário, não gosto muito de escrever na primeira pessoa, e nem sempre gosto de ler na primeira pessoa, mas neste caso, gostei. Força e continua :)

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