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[Opiniões] Face Negra, de Elizabete Cruz


Face Negra

Sinopse aqui 

Opinião

Este é o primeiro livro da autora que leio e, devo dizer, uma das novidades mais aguardadas deste ano, principalmente por ser edição de autor, um tipo de publicação que tende a deixar o leitor de pé atrás. Será que é de qualidade? Será que vale a pena? Por que razão o autor não publicou por uma editora? Esta última pergunta dava direito a um post, por isso, adiante. Estes são alguns exemplos que passam pela cabeça da maioria. Digo eu…

É claro que esta opinião já vem um pouco tarde, mas nunca é demasiado tarde, certo? Já li o livro há quase dois meses, por isso a ver se me recordo do que tenho para dizer.

Devo dizer que o que me chamou a atenção foi a capa (parabéns, Raquel!) e o título. Quando li a sinopse, assim que a autora a disponibilizou, pensei que podia estar melhor e que não chamava a atenção que devia. Continuo a achar isso, depois de ter lido, mas confesso que sinopses dão imenso trabalho e a autora fez tudo sozinha. Mesmo assim, foi uma das raras ocasiões em que não desbobinei o que pensei à própria autora, por isso, suponho que ela deverá estar a ler isto e saber ao mesmo tempo dos que me lêem (sorry!).

Este livro tem uma miríade de assuntos: síndroma de Down; adopção; prostituição; primeiro amor; abandono; amizades perdidas; eramus; vingança; ressentimentos; e agora não me recordo de mais. A autora arriscou-se muito com isto e, apesar dos pontos menos bons que vou referir a seguir, gostei bastante do geral. Ainda mais com a acção a decorrer em Portugal e, por alguns dias, na Noruega.

Em relação à história, começa de forma lenta e com uma exposição detalhada das personagens (ou a chamada infodump), porém, excepto essa parte, começa 3 anos antes para nos preparar para a vida actual que Daniela leva. Gostaria de ter visto detalhes das personagens ao longo da narrativa e não tanto logo ao início. De igual forma, a autora repete muitos nomes próprios e descreve demasiado as situações, ao ponto de não deixar quase nada à imaginação do leitor.

Parece que a personagem favorita tem sido o Marco e eu também gostei dele, mas a personagem parece que não teve outro objectivo senão o de ser melhor amigo de Daniela e de estar lá para ela nas horas em que mais precisava e de ser o habitual ‘engraçadinho’. Ok, a meio da narrativa, ele passa a ter um papel mais importante, já que despoletou indirectamente um dos conflitos, mas penso que mais tarde ou mais cedo haveria de acontecer aquilo que aconteceu. Não posso dizer, porque é spoiler :( Apesar de tudo, espero ver um maior desenvolvimento da parte dele no segundo volume, um pedido que a autora acedeu após alguma insistência dos leitores. 

Gostei do Dyre e tenho pena que não tenha havido mais romance, mais profundidade, mais emoção. A autora diz que não tem jeito para cenas românticas. Penso que isso vai lá com a prática, mas posso dizer que li momentos no “Face Negra” muito românticos, poucos, é certo, mas estavam lá. Gostaria de ter visto mais, mas não ao nível de mel e cola, porque isso é aborrecido. No entanto, com a vida que Daniela leva confesso que também seria difícil integrar esse ‘mais’.

O final despertou em mim sentimentos de contradição. Não fiquei a odiar a personagem principal como alguns leitores, mas fiquei chateada porque não foi credível ou, pelo menos, não consegui aceitar a viabilidade dos acontecimentos. [SPOILER] Então ela mata a mãe e depois foge e não lhe acontece nada, não é presa, não…? Vagueia pela Europa durante uns anos e depois encontra o Dyre? [FIM DE SPOILER], simplesmente não me entrou, além de ter sido um final que me pareceu ter sido escrito a correr.


Fora isso, espero que a autora continue a escrever e a melhorar. As ideias estão lá, basta moldá-las e melhorá-las. 



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