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[Epifanias] - IMPORTANTE: como eu olho para os escritores portugueses

Há muito tempo que não tinha uma Epifania, mas este artigo é para me redimir, vá. Generalizei uma situação e dei-me mal. Acontece, mas não devia. 

Sorry glitter graphics
Recentemente, escrevi numa opinião que me tinham dito que 'os portugueses não sabem escrever'. Em alguns livros, concordo com a frase. Talvez não entenda o significado total que lhe está inerente, mas, por favor, expliquem-me os que souberem. Contudo... não deveria ter generalizado, porque há muitos escritores portugueses que admiro! Carla M. Soares, L.C. Lavado, Célia Loureiro, Soraia Pereira, Carina Rosa, Andreia Ferreira... ui, mulheres ao poder! Fábio Ventura, Vasco Ricardo, Vítor Frazão, Pedro Ventura, etc. Existem muitos, só me lembrei destes agora. Isto na retoma de jovens escritores de que tenho ouvido falar nos últimos meses. 

Talvez tenha sido pretenciosa ao parafrasear o que outra pessoa, que já não me recordo quem foi, me havia dito há meses. Ainda por cima, por saber tão pouco deste mundo da Literatura e ser uma bebé no meio. Admiti, está admitido, podem parar de bater. Beating and fighting smileys


Sei que alguns autores ficaram tristes e não os posso culpar, têm razão e agradeço à Carla M. Soares e à Carina Rosa por terem vindo ter comigo e dito 'olha lá, assim fico triste'. É verdade, mas o que me passou pela cabeça? Sinceramente, não sei responder. 


Os portugueses estão quase sempre sozinhos na sua demanda, seja na natação, nas corridas... No desporto em geral, não têm lá muitos apoios. Se formos falar de futebol, o cenário muda. Pelo menos, é o que eu noto. Mas... os portugueses são também os que mais se esforçam e não desistem de lutar pelos sonhos, que têm garra e que demoram a deixar-se abater por sucessivas derrotas ou nunca chegam a desistir, e isso é de louvar. Na escrita, a situação não é diferente, embora alguns sejam mais avessos à mudança e a aceitar as críticas do que outros... Felizmente, o panorama tem vindo a alterar-se com a questão dos leitores-beta, que ainda é um termo-ferramenta desconhecido por muitos. Tenho fé que, com o passa-a-palavra, em poucos anos já nenhum jovem escritor esteja sozinho. É... muito utópico, mas porque não? 

O que tenho vindo a notar é que alguns portugueses-escritores, os iniciantes e mesmo alguns dos veteranos, não fazem pesquisa antes de escrever. Isto, porque nessa primeira fase poucos são aqueles que sabem o que vai sair dali e só querem é escrever e divertir-se com as tretas que escrevem. Eu incluo-me, orgulhosamente, no grupo dos que gostam de escrevinhar umas coisas. Mas continuando, não os censuro por isso, afinal se pensar e planear é meio caminho andado para o sucesso, fazê-lo pode ser meio caminho para a desgraça. Cada um terá de ver como funciona melhor. A culpa (?) deles recai em não pesquisar depois de terminado o primeiro draft que muitos também não sabem o que é... manias de usar estrangeirismos! - que significa rascunho. O primeiro rascunho. O primeiro draft. É tudo a mesma coisa, draft é mais fino :D

Okay, vamos lá a ver se não digo (muitas) bacoradas. Isto é como estacionar um carro na primeira aula de condução (ou durante toda a vida de condutor): há que saber ligá-lo, aprender a mexer, andar um bocadinho, saber como funciona, endireitar os espelhos, saber que carregar na embraiagem vai ajudar-nos a introduzir as mudanças, que temos de travar quando estamos acima da velocidade indicada, etc. Tal como num carro, na escrita ninguém é obrigado a 'estacionar' à primeira, como dizia o meu instrutor. "Voltas à frente [isto ao estacionar de marcha-atrás e se o colocarmos torto], endireitas a direcção e voltas a fazer marca-atrás, mas olha-me prós espelhos, miúda!!!" 
Simples, fácil, poupa-nos trabalho e, depois, é só voltar a ligar o carro, colocar a 1ª e arrancar. Certo? Claro que sim. Resumindo: primeiro, teoria, depois prática. Tal como na escrita! 
Bem dizia o meu instrutor que olhar para os espelhos era uma excelente estratégia...

Ou então... primeiro pode-se escrever livremente e, depois, pesquisa-se, lê-se, reescreve-se quantas vezes forem necessárias. É chato? Para alguns, sim, não vou mentir. Eu, sinceramente, gosto quase tanto de reescrever como de escrevinhar. Acho um espectáculo podermos melhorar, com ou sem ajuda, as coisas tristes que debitámos no word ou na folha de papel. E rirmo-nos com as partes fixes que a nossa mente brilhante arquitectou! Oh, sim, 'miguitos, acontece. É raro num primeiro livro - ou, ainda vou mais longe, num livro qualquer, seja ele o nosso terceiro, quarto, quinto ou adiante - a nossa mente ser um mestre da arquitectura da escrita e do plot, mas claro que acontece. Sortudos, aqueles que o conseguem! Ou, talvez não, para aqueles que gostam de reescrever e sai quase - ênfase aqui, pf -  tudo bem à primeira. 


E há tanto, mas tanto por onde podem pesquisar... TANTO!!! Desde sites a blogs, de softwares de escrita a vídeos inspiradores no youtube... esta é uma das minhas partes favoritas e GARANTO que, para levantar a moral e a inspiração, É UMA MARAVILHA!

Quando parafraseei aquilo, estava a referir-me à técnica, sobre a qual também pouco sei. Repetições, vocábulos mal colocados, débito de informação (o chamado infodump), narrativa arrastada, inconsistências, plot holes, ausência de plot twists e assim por diante... Pelo que tenho lido, alguns (por favor, autores, não me batam, estou a falar dos bebés, que viram o seu livro nascer há pouquíssimo tempo ou que ainda está para nascer) não sabem o que é isto. É pá, se me pedirem para explicar, também é melhor que me vá dedicar à pesca, que essa pratiquei-a eu quando era criança e tive bons professores-pescadores. Se me pedirem para identificar, já passo da pesca para a mesa de forma a saborear. Ao menos isso! Mas continuo sem chegar aos calcanhares do Chefe Ramsey do Hell's Kitchen para criticar à séria e dar sugestões como uma verdadeira pro.


Por isso, a minha sugestão - podem confiar que não vão comer peixe podre nem nada disso, blargh - é: pesquisem. Escrevam, mas pesquisem. Leiam muito - leiam dicas de escrita, livros técnicos, que tenho às carradas, até mos podem pedir... ok, só tenho uns nove... mas podem mandar email que conheço pessoal que é bom na coisa e pode ajudar --> isto tem de se ter connections, não é o que se diz? aiai... Leiam tudo e mais alguma coisa. Passem a palavra, critiquem e ajudem. Não dêem palmadinhas nas costas, que os autores não se engasgaram nem têm nenhuma espinha encravada, apenas precisam de ajuda e de saber que não estão sozinhos. 

A bebida também ajuda. Alguns autores podem corroborar :D vejam lá se oferecem um copo

RESUMINDO: 
Olho para os escritores portugueses um pouco como olho para os meus heróis. Dão tudo o que têm e só nos pedem uma oportunidade [para serem lidos]. Tanto estão lá em cima, como estão lá em baixo. O público é o terrível juiz do Tribunal e a sentença a opinião. São pessoas que, por mais medo ou terror que sintam em dar a ler com receio das críticas, atiram-se, não ao mar como os Íris cantam na sua música mas às feras que são os leitores. Por muito terror que sintam, começo a pensar que nunca irá desaparecer, têm essa coragem. Mostram-na e dizem 'ajuda-me, lê, critica e diz-me como melhorar'. Não dizem 'está bom assim, pá, não mexe mais'. E é isso que os - nos? - distingue. Não falo só dos escritores, mas do povo português, mas isso já é off-topic

E pronto, vou dar por encerrada a sessão. 

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