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[Epifanias] Ai, educação a quantas obrigas...

Tenho andado alheada da realidade. Dos blogs. Das leituras. Das betas. Das escritas. Da vida. Quando chego a casa, vou directa ao portátil (que também levo para a faculdade...) e recomeço a trabalhar, porque o tempo parece gozar com o estatuto de estudante e tirar prazer do 'não há tempo para tudo, faz as tuas escolhas', enquanto se ri maquiavelicamente. É um verdadeiro vilão, essa é que é essa! Mal dou por mim enquanto escrevo, leio artigos secantes, dos quais pouco tiro de teoria comestível, e tento articular num pensamento mais ou menos ordenado aquilo  que acho sobre o assunto. Isto acontece quase todo o santo dia para enviar antes do prazo findar (geralmente à meia noite, tal qual gata borralheira. Cadê a minha abóbara e fada-madrinha? *suspiro*). 

Enfim, frustrações à parte, esta semana a MRP (existe alguém que não saiba o que a sigla quer dizer? O primeiro significa merda Margarida) fez estoirar blogs e redes sociais e, a bem dizer, a maioria das pessoas... Pelas minhas palavras até aqui, já conseguem saber de que lado estou.

Ora, outro assunto que veio à baila ainda antes da semana acabar foi a educação e o novo programa. Estava ontem entretida a fazer-nada, isso mesmo,  A FAZER NADA, excepto ver um ou dois episódios das séries que tenho em atraso, quando me lembro de ir ao blog e vejo este post, com o vídeo. 



Como estudante de psicologia, e como alguém que estava dividada entre Recursos Humanos (opção onde estou) e Psicologia da Educação (a minha 2ª opção), eu olho para isto e começo a imaginar-me na área e fazer um brilharete. Pronto, descobriram-me a careca. Este pensamento e desejo de mudar o mundo já deveria ter ido por água abaixo depois dos magníficos 18, mas não. Hoje, com 22, continuo a sonhar alto. Iludida, diriam alguns. Força com os adjectivos, que o meu ego precisa de estar em alta. A verdade é que pouco sei sobre política e pouca gente tenho com quem discuti-la, admiti, sue me, please. MAS estou a tentar alargar os meus conhecimentos na área. Faço-me valer pela pouca experiência, enquanto aluna do secundário há seis anos atrás. Pff, seis anos! Já fui c'os porcos. 

Não estou aqui para analisar o que se diz no vídeo, ou aliás, deixem-me só cá fazer um aparte: é todos os anos a dar a mesma coisa, lembro-me perfeitamente de, em inglês (e outras), darmos as mesmas coisas e eu a pensar 'ok, e depois? quero aprender mais coisas...'. A verdade é que fui uma lástima na disciplina, os meus colegas gozavam comigo quando eu lia, ou eu é que me sentia mal por saber que não lia bem, de vocabulário pouco aprendiamos... e durante anos estive a aprender as mesmas coisas para chegar ao fim e saber ZERO. NO ENTANTO, e hoje sou capaz de ver isso, os alunos pouco ou nada são proactivos. Chegam a casa e vão jogar ou falar com os amigos, não procuram saber mais para além daquilo que é dado. Vejo isso pelo meu irmão. Sei que não devia extrapolar, mas conheço outros tantos adolescentes que fazem o mesmo, ou pior, vão à escola e não põem um pezinho da sua graça na sala de aula. 

Compreendo que seja difícil ouvir todos os anos a mesma coisa, ou que nos pareça sempre igual e sem interesse, e seria de esperar que a matéria entrasse, mas não, 'migos, não entra. E isto acho que também parte da educação que se dá em casa, embora eu também veja isso pelo meu irmão, de pouco valeu, porque a educação foi igual para os dois (ok, não tão igual, teve nuances, uma das foi o meu pai estar constantemente a trabalhar fora do país e por isso faltar-lhe uma figura masculina mais presente, figura essa que eu tento interpretar, e verdade seja dita, a minha prestação não tem sido lá muito boa) e o meu irmão, ao mínimo sinal de derrota, desiste. Eu sou daquelas pessoas que não larga o osso enquanto não acabar com ele, que é como quem diz tenta, tenta, tenta até cair p'ró lado. 

Isto assim parece uma pescadinha de rabo na boca. Os professores são obrigados a dar um programa predefinido (do qual não sei se gostam ou acreditam - pelo que tenho visto, não gostam), da forma como o governo acha melhor (ninguém gosta de ouvir como deve trabalhar, ao contrário, eles também fazem orelhas moucas e merda atrás de merda), sem espaço de manobra para a paixão de ensinar fluir. Os alunos sentem-se pouco motivados, são influenciados pelos colegas e amigos - isto basta um para desencaminhar os outros - chega a casa, os pais andam mais preocupados em ganhar dinheiro para lhes dar de comer do que propriamente para os educar ou dar atenção e, quando tentam fazer tudo, alguns não conseguem. Não os estou a culpar, a sério que não. Muito já fazem os nossos pais e tenho pena de que os jovens não consigam ver isso, eu incluída, porque o que eu vejo é uma infima parte do esforço brutal realizado por eles. Os miúdos sentem-se ignorados, refugiam-se no computador, jogos, amigos, etc e lixam-se para o estudo, a proactividade é levada para debaixo da terra, a prestação escolar diminui e os maus resultados surgem. Os professores ficam desmotivados por ver esses maus resultados e o processo começa de novo.

Onde está a justiça nisto?

Não está. Mas uma coisa eu sei. Não é com medidas de merda que vamos lá. Não é a compararmo-nos a outros países que saímos da merda. Aliás, pelo vídeo, as medidas até tiveram maus resultados noutros país... pronto, ok, uma comparação. Mas é a olhar para o que temos, para o que somos e para o que queremos ser... E, a partir daí, trabalhar com isso. Cada caso é um caso, por isso... olhemos para a nossa educação sem fazer comparações idiotas ou a tentarmos ser melhor do que nos outros países. Isso NÃO RESULTA. 

Podia continuar e bla bla bla, porque acho que se a educação dada em casa é um dos problemas, a educação geral que apresentamos aos alunos desde o 1º ciclo é errado. Mas todos juntos temos o dever de mostar aos nossos rebentos que não se deve desistir, que deve-se agarrar ao que não se sabe até saber, lutar até morrer, ok, gozem pelo dramatismo, mas não me levem tão à letra. O que quero dizer é: tentar, tentar, tentar até conseguir. PONTO. Insistir em duas ou três áreas de cada vez, não tudo ao molho e fé em Deus. E não fazer programas extensivos que depois têm de ser dados a correr e nada, nada entra nas cabeças dos alunos... Qual é a cena, afinal? Pelo amor da santa.  

E, pronto, acabei. Certa ou errada, bem ou mal desenvolvida, é isto que penso. Não tudo, porque não saiamos daqui, mas uma parte do meu raciocinio. 

Comments

  1. Concordo contigo em muitos aspectos. Anda toda a gentes desmotivada a trabalhar e depois há aquelas pessoas que vêem os seus lugares assegurados que pensam que não devem mostrar serviço, que não se devem empenhar e dar o melhor de si. Não percebo, tanta gente sem trabalho e aqueles que o têm não demonstram a suas capacidades. Nem sempre é fácil, há sempre mil e uma burocracias, mas quando há possibilidade porque não mostrar que são úteis. Penso que a posição dos psicólogos nas escolas aparece um pouco denegrida por causa disso mesmo, por causa de não demonstrarem que são úteis ali.
    A área da educação nunca passou pelas minhas opções (aliás foi mesmo a minha última opção) porque ganhei uma espécie de aversão à escola no secundário. Ironia do destino, a minha mais recente experiência esteve ligada à intervenção escolar, e sim, se nos deixarem podemos fazer a diferença.

    Também concordo contigo quando falas das relações familiares e influência dos pais na forma como as crianças/adolescentes se comportam em relação àquilo que os rodeiam. Felizmente o balanço que faço do trabalho com crianças e adolescentes é bastante positivo. Há sempre excepções, mas na sua maioria já trabalhei com meninos e meninas muito especiais (não sei se o facto de estar num meio pequeno contribua de alguma forma).

    Uma coisa que não concordo no ensino é o facto de sermos "forçados" a memorizar as coisas... Não há uma entrega no processo de aprendizagem, quer de quem fornece o conhecimento quer de quem o adquire. Que sentido teria o conhecimento se ele não fosse partilhado? Conhecimento gere conhecimento e este só evolui se houver partilha e, acima de tudo discussão de pontos fortes e fracos, do que é preciso melhorar...

    Infelizmente, acho que os nossos governantes estão mais preocupados em culparem-se uns aos outros sobre os responsáveis pela crise do que sentarem-se e partilharem conhecimento e soluções. É uma ideia utópica, eu sei, a sede de poder é tanta que as coisas mais importantes ficam esquecidas.

    E depois, como não há qualidade no ensino temos profissionais incompetentes. Como estão acostumados ao facilitismos recorrem a esquemas e a corrupção para alcançarem o que querem sem se importarem quem destroem pelo caminho...

    Acho que já me alonguei no comentário!
    Beijinhos

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    Replies
    1. Podes alongar-te à vontade :) é a discutir de forma saudável que nos desenvolvemos eheh

      A questão de memorizar, concordo com algumas coisas, porque em certos aspectos é a única forma (tipo fórmulas e assim) mas noutros desde que depois de consiga aprender BEM o que se deu e aplicar de alguma forma... porque não? O problema é: decorar-debitar-esquecer. DDE... quando devia ser: decorar-aprender-manter. DAM... LOL ok, tu percebeste, mas a diferença entre os dois é enorme!

      Quanto ao resto, concordo com o que disseste. Excepto que o governo anda a brincar... não sabe puto do que anda a fazer... andam literalmente a brincar às casinhas de bonecas.

      Obrigada pelo comentário, Silvana :)

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    2. De nada Ivonne!

      Sim compreendi o que querias dizer. Sim, eu sei que há coisas que é necessário decorar, sem isso seria impossível passar para o nível seguinte: o da compreensão. Mas questiono-me muitas vezes: e os professores, estão preparados para passar para outro nível de ensino/aprendizagem? Porque este acaba por ser mais cómodo e exige menos deles...
      Quando surgem as discussões acerca da avaliação de professores eu não sou contra que se faça avaliação (aliás em qualquer local privado que trabalhes isso é algo recorrente) eu não concordo é com o plano elaborado para fazer essa avaliação... Não é fácil criar um sistema de avaliação, mas acho que discutindo o assunto com vários profissionais poderia chegar-se a um consenso e assim eliminar professores que vão para as aulas falar da vida pessoal e dar teste retirados dos livros de exercícios (onde só se digitaliza as páginas). Estou a falar com conhecimento de causa.

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    3. Sim, imagino que sim :(
      Provavelmente nunca terei essa experiência.

      Olha este vídeo apareceu no meu grupo de turma, ainda não o consegui ver, mas o título é sugestivo: http://www.ted.com/talks/bill_gates_teachers_need_real_feedback.html?source=facebook#.Un7TYKpFWT9.facebook

      Delete
    4. Obrigada pela partilha Ivonne :)
      É o vídeo é fantástico... Fiquei vidrada na apresentação do Bill Gates e o modelo que ele apresentou faz muito sentido... Lool como é que não me lembrei disse se eu própria já o fiz.
      Eu fiz a formação pedagógica inicial de formadores e fui filmada duas vezes. No início a ideia não me agradou, mas depois vi a potencialidade daquilo! É fácil nós identificarmos o que na nossa formação correu mal e o que deveria ser mudado.
      O mesmo se passa nas sessões de Terapia Familiar quando são gravadas. São óptimas para o psicólogo se aperceber dos seus erros na sessão.

      Acho que a ideia inicial do vídeo faz todo o sentido: todos nós precisamos de um treinador. O problema é que a muita boa gente no nosso país falta a humildade necessária para partilhar as suas ideias com um ou vários treinadores. Os professores são um grupo com o qual é difícil de trabalhar. Em relação aos médicos tive uma experiência muito positiva (confesso que pensei que ia ser pior), com os profissionais de enfermagem as coisas não são fáceis (embora eu conheça algumas excepções). O que mais se verifica é pessoas a querem-se assumir como superiores em relação aos outros...
      Olha que esta minha experiência não foi enquanto profissional de psicologia. Neste momento, para ganhar algum dinheiro dou explicações a crianças do ensino básico e passou-me com aquilo que os professores fazem nas aulas... Às vezes até penso que é mentira, mas quando sou confrontada com os factos penso: até eu que não sou professora conseguiria fazer melhor!!

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