Skip to main content

"A Herdeira Acidental", de Vikas Swarup

Prometo tentar não colocar spoilers. Tentar.
A Herdeira AcidentalTítulo Original: The Accidental Apprentice
Título em pt: A Herdeira Acidental
Editora/Edição: ASA/Julho de 2013
Páginas: 400
Sinopse: Goodreads
A Herdeira Acidental foi uma desilusão autêntica. Atribuo quase como uma leitura acidental, se não tivesse sido lida por vontade.  A capa e a sinopse deste livro enganaram-me bem. De rosa, esta história tem muito pouco. Assemelha-se mais a cabos emaranhados num desalinho e torvelinho completos. De testamento e heranças, mais uma vez, embora presente em toda a narrativa, pouco trata. De tal forma que nós até nos esquecemos de que foi aí que começou.
Este ‘Herdeira’ tem vários problemas. Um deles é não ter capítulos, mas já lá vamos. A história centra-se em Sapna, uma jovem indiana, e nos sete testes que Vinay Mohan Acharya, um excêntrico multimilionário, a faz passar com o objectivo de verificar se ela é a opção certa para ocupar o cargo de direcção da sua empresa. Portanto, os ‘capítulos’ são os testes, aos quais se juntou um prólogo de mais de cinquenta páginas, se não estou em erro. Vejam as páginas e façam as contas, se são daqueles leitores que, quer estejam a gostar ou não, fazem pausas ao acabar x capítulos, esqueçam isso aqui. Com esta decisão de Vikas Swarup, a leitura começou mal. Foi extremamente cansativa e tive de parar muitas vezes a meio dos ‘capítulos’. Poderia até ter perdoado, se tivesse sido interessante e excitante, mas a enchente de informação com que fui bombardeada deixou-me com tédio e resultou precisamente no contrário.
O início da narrativa também não abona muito a favor. Acharya aborda Sapna na rua e diz-lhe que a quer como sua sucessora nas empresas. Se… passar nos sete testes. E ela, mesmo desconfiada, aceita. Okay, neste momento, os meus olhinhos rolaram pela primeira de muitas vezes. A Índia, como foi descrita, não é um local seguro – sim, admito, sei pouco sobre a Índia – e tudo é caso para desconfiar, é quase como andar com uma mão à frente e outra atrás. Mas ela lá entra na brincadeira.
Os testes são do mais descabido que existem. Sapna, antes de se saber na mira de um milionário, não ousaria fazer aquilo. Não gostava da sua vida, mas tolerava-a: soube aceitar a perda da irmã mais nova e do pai e era boa no trabalho que fazia, mas depois de ter aceite a proposta de Acharya, mudou completamente. Uma coisa é ter coragem de ousar, de enfrentar, de ir contra as regras da sociedade em que vive, outra muito diferente é passar quase por uma heroína nacional em cada teste que faz. Sim, é verdade, Sapna aparece nas notícias três ou quatro vezes e no final, então, é para esquecer... E isso não me entrou.
Para além da atitude de Sapna não ter sido consistente com o que ela mostrou até ter conhecido Acharya, Vikas quis, a meu ver, mostrar a realidade da Índia –  a extrema pobreza, os casamentos forçados, a corrupção, o trabalho infantil, transplante de órgãos, etc, etc, etc – e ficou uma mixórdia que não se entendeu. Quis fazer uma sátira à sociedade, mas foi mal sucedido. Cada teste era passado a correr, sempre com um bombardear de informação de acontecimentos passados da protagonista quase como para justificar cada decisão que tomava e a mudança ‘milagrosa’ que teve e a resolução de cada teste era como o final digno de um filme de Hollywood, ou bollywood melhor dizendo. Estamos na Índia!
O mistério adensa-se, na negativa, quando nos é apresentado o gémeo do Sr. Acharya que, por sinal, quer comprar a empresa do irmão e é retratado como o mau da fita. Convenceu? Nadinha…
Nas últimas 60 página ainda pensei que houvesse uma reviravolta que me fizesse perdoar tudo o que me caiu mal, mas não. O ritmo foi vertiginoso, numa queda livre sem apoio de pára-quedas ou quaisquer instrumentos de segurança do género. Vemos que quem esteve por detrás de tudo estava ligado ao passado de Sapna e ao que aconteceu com a irmã e o pai. E este psicopata ou teve muita sorte, ou talvez soube agarrar a oportunidade quando viu o Sr. Acharya falar com Sapna, mas de qualquer forma tudo me pareceu mal encadeado pelo autor. Parece que ele tinha muitas ideias e as quis enfiar todas nesta história e que as cruzou mal e os buracos foram mal tapados.
Isto sou eu, que fiquei extremamente mal servida com este livro. Uma capa que prometia tanto… pensava eu que ia encontrar uma história engraçada e comovente... Acho que há muito que não me enganava assim. 

12.01.2014
1*
P.S. Este post não foi revisto.

Comments

  1. Minha pergunta é... se achou o livro tão mau assim porque continuou a leitura? Não julgue um livro pela capa. E você julgou.

    ReplyDelete
    Replies
    1. Olá :)

      Por que continuei? Porque gosto de saber do que falo; criticar sem ter conhecimento de causa não é bem a minha praia (embora aconteça como a toda a gente).

      Quem nunca julgou um livro pela capa, que atire a primeira pedra... É inerente à condição humana, mas a Miss Sabichona não sou eu.

      Obrigada pelo comentário!

      Delete
  2. Como se sabe se efectivamente não se gostou de um livro se não o acabarmos? o.O

    ReplyDelete

Post a Comment

Deixa aqui as tuas epifanias ^^
A gerência agradece :)

Popular posts from this blog

Contos| 5 ideias para escrever

Depois de um mês que foi um D E S A S T R E, surge Março com a luz ao fundo do túnel. 
Ainda estou doente, mas se não me puser de pé o corpo e a mente habituam-se ao bem bom da caminha e não pode ser. Chega de mandriar. De pé, decidi escrever. Como se uma coisa tivesse a ver com a outra...
Eu repito: decidi escrever. Em 2013 terminei o meu primeiro draft e fiquei com menos um esqueleto na gaveta com a promessa de reduzir os restantes. Em 2014, peguei-lhe e dei-lhe uma volta de 180º, integrei muitas coisas, novas situações, personagens, twists, mas... achei que ME faltava algo enquanto escrevinhadora, talvez mais experiência como leitora. Vai daí, deixei as ideias em lume brando e dediquei-me à leitura; li de tudo, li muito, li livros pequenos e grandes, em português e inglês, físicos e e-books. 
Em 2015, propus-me a terminá-lo. E quem anda nas ruas do editanço e etc e tal, sabe como funciona. Aiiii, que isto está tão bom. Hãããn qu'é que andaste a beber?!?! Está horrível! Fui eu que e…

"A Grande Revelação", de Julia Quinn

Goodreads
Opinião
Quando se trata de Julia Quinn, não consigo ser imparcial. Não, correcção: não sei ser imparcial. Para falar a verdade, não que o seja nos outros livros que leio, mas com esta autora é diferente.
Este livro é especial, por muitos motivos. Um deles é ter revelado o GRANDE segredo que é absolutamente fenomenal. Ainda outro prende-se pelo dom que ambos os protagonistas têm em comum. Um gosto que também é o meu... e não, não vou dizer qual é porque seria um spoiler de todo o tamanho. Esperei muito tempo – talvez umas duas semanas para comprar o livro que eu pensava que sairia a dia 27 de janeiro, e mais duas semanas para comprá-lo efectivamente depois do lançamento - mas, puf, isto não é nada certo? Nada, comparado com os meses que ficarei à seca à espera do 5#, oh dear Lord…Focando a história, que isso é que importa, tinha muitas expectativas sobre ela. Quando lemos um ou dois livros de uma dada autora, ainda é como a outra. É novidade e, por gostarmos tanto, tanto, tanto,…

yWriter

Nota aos LeitoresDecidi partilhar algumas dicas, programas, sites, etc que me têm ajudado a desempenar na escrita. Incrível foi eu já ter este post escrito e agendado e alguém me dizer: tenta usar a escrita e o blogue como "testemunho" e não como "confidência". Por isso, eis-me aqui... com uma dica que me tem realmente ajudado! 
 *

Utilizo este programa há uns anos e só tenho coisas boas a dizer!

O que é yWriter?