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Retalho de Memórias 2#

Cá estamos de novo. Para fazer uma espécie de ponte, escreveste três passos simples a última vez que fizeste um retalho da tua memória:

Sentir – escrever- fazer acontecer

Parece um daqueles mantras positivistas que tanto te esforçavas por ignorar. E continuas a fazê-lo desde a última vez que verifiquei. Só que agora é diferente. Não é positivista, é… determinista? Fica a questão.

Hoje quiseste falar de liberdade. Um pouco mais do mesmo, portanto, mas pedes aos que te lêem que não digam a ninguém. Há-de ser um segredo só nosso, embora partilhado na internet e através da qual meio mundo consegue aceder. Fuck logic. Nunca percebeste e eu tão pouco.  

Há muito que andas para fazer uma coisa.
Passear.

Riram-se, leitores? Não? Estranho, é que tu sim. E eu também. Ainda sinto o ressoar das tuas gargalhadas quando acabaste de escrever a palavra. Sempre te acompanhei nisso e sei que és a primeira a rir-se de ti. E quando dás uma queda? Ui! Dado que no último Retalho falaste de quedas, mas espirituais, neste caso vamos usar o termo tralho, porque estás mesmo a referir-te a queda física e cada tralho que dás, senhores!, é fenomenal. Quase sempre em câmara lenta e com um som de fundo ‘boing’ para embelezar a cena. Quando dás um tralho, só falta mesmo rebolares no chão e fazer um croquete com o alcatrão.
Apesar desse teu espírito, bem sei porque andas com esse desejo, o de passear. Anseias por fazê-lo. Sozinha. A levar com os ventinhos na face. Aqui, lembro-me de que quase escrevias trombas, como a brejeira que fazes por ser de vez em quando. Tentei ficar chateada com essa inflexibilidade, mas não foi possível. Percebo as tuas razões em falares assim... Quanto ao passear, queres reflectir sobre a vida, sobre essas coisas chatas e, ao mesmo tempo, bonitas. Às vezes sabe mesmo, mesmo bem.
Queres observar as pessoas e a natureza. Inspirar o ar puro e sentir-te o mais viva que é possível sentir. Lembro-me bem das noites que passavas a sonhar, era como o teu refúgio sempre que te sentias ansiosa ou triste. Era isso ou a escrita. Mas não chegava. Sonhar, pensar em passear, ou escrever, não chegava. Querias mais e, por isso, tinhas de o fazer.
Ver as pessoas a passarem por ti, a imaginar as suas vidas, e a construir-lhes todo um percurso que tu nunca terias coragem de percorrer. Ver-lhes os sorrisos e as gargalhadas que, talvez, tu nunca irias dar. A inveja é um sentimento feio, mas por vezes saudável. Vê-las a passarem por ti fazia-te sentir melhor. O que criavas na tua mente fazia-te feliz. Lembras-te?
Infelizmente, não se pode largar tudo e fazer o que nos dá na telha, desculpavas-te tu, certa de que era o suficiente. E vieram as desculpas. E vieram os adiamentos. E apenas as vontades e o fazer está quieto. E veio a liberdade condicionada. E, por fim, o ter pena de ti própria, as condescendências e os conformismos. 
E depois, tudo mudou.

Portanto, o teu novo mantra
Sentir – escrever – fazer acontecer

Sentir, já sentiste, não acabei de dizer que pensavas nisto há muito tempo? Bah!
Escrever, que raio andamos aqui a fazer, afinal?


Eis as provas, tiradas em Sintra, directamente do teu telemóvel. 

Fazer acontecer, pelas fotografias dá para ter uma ideia, não?               
                                  
Como diria a Dori, a nossa homónima da memória, basta nadar, basta nadar, basta nadar, nadar, nadar! Lalalala

Uma boa semana a todos :D

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