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"A Grande Revelação", de Julia Quinn

A Grande Revelação (Bridgertons, n º 4)

Opinião

Quando se trata de Julia Quinn, não consigo ser imparcial. Não, correcção: não sei ser imparcial. Para falar a verdade, não que o seja nos outros livros que leio, mas com esta autora é diferente. 
Este livro é especial, por muitos motivos. Um deles é ter revelado o GRANDE segredo que é absolutamente fenomenal. Ainda outro prende-se pelo dom que ambos os protagonistas têm em comum. Um gosto que também é o meu... e não, não vou dizer qual é porque seria um spoiler de todo o tamanho.
Esperei muito tempo – talvez umas duas semanas para comprar o livro que eu pensava que sairia a dia 27 de janeiro, e mais duas semanas para comprá-lo efectivamente depois do lançamento - mas, puf, isto não é nada certo? Nada, comparado com os meses que ficarei à seca à espera do 5#, oh dear Lord…
Focando a história, que isso é que importa, tinha muitas expectativas sobre ela. Quando lemos um ou dois livros de uma dada autora, ainda é como a outra. É novidade e, por gostarmos tanto, tanto, tanto, tudo nos parece perfeito, mas depois a fórmula - por assim dizer - começa a cansar. Só que não cansou. Apesar de tudo, creio que foi um golpe de mestre da autora – e acho que me estou a repetir de opinião para opinião – revelar o grande segredo neste 4#, sobre quem é Lady Whistledown, uma senhora que se entretém nas horas vagas (ou não) a contar os podres de toda a aristocracia britânica com muito humor, ironia e sarcasmo. Foi uma reviravolta, se é que podemos chamar assim, no lugar certo à hora certa. Eu sabia que adorava aquela mulher!
De igual forma, iniciar este 4# com pequenos flashbacks da protagonista, Penelope Featherington, que sofreu horrores devido às bocas da sociedade em relação à sua aparência, foi um golpe de mestre. Sim, sim, estou a repetir-me. Tudo propositado, posso garantir.
Não é novidade nenhuma que a sociedade é mesquinha e todos os que não seguirem o conceito que ficou pré-estabelecido – lá sei eu por quem e quando – são rejeitados, postos de lado e motivos de chacota e divertimento. Eis algo que não tem mudado muito, seja em que sociedade for.
Penelope, apesar da sua aparência, que afinal não tem nada de mal (repito: a sociedade é que é mesquinha), tem algo que muitos do seu meio não têm. Cabeça, inteligência, massa cinzenta, tudo o que queiram chamar. Gosta de ler – aleluia! – e de reflectir, de ter opinião própria. Não gosta de ser o centro das atenções – e, oh!, como a compreendo – e evita partilhar os seus pontos de vista. Creio que, e o meu lado brejeiro revela-se agora, foi uma chapada nas trombas o casamento com Colin, um irmão Bridgerton que todas as mães casamenteiras esperam apanhar.
Colin, Colin, Colin… Todos os irmãos têm algo por que viver, um propósito que os guia – e, pelo amor da santa, não estou a falar dos excelentes casamentos e da catrefada de filhos que têm - todos, excepto Colin, claro, o mais bem-disposto da família. Refugia-se nas viagens e em mais qualquer coisa, que não vou dizer (até mordo a língua!), e é assim que aguenta esse vazio na sua vida. Até voltar a ver… Penelope, que conhece há mais de dez anos. Às vezes o destino prega-nos partidas, certo? O que seria de nós, leitores, sem um ataque de coração de vez em quando, hã?
Admito que podia ter havido mais química entre os dois, porque, ora vejamos, Penelope está apaixonada por Colin há uma década e ele sempre teve um carinho especial por ela. Mas tudo bem, passas desta vez, Quinn, e é porque gostei da escrita, dos subterfúgios, do segredo, do romantismo que Colin revelou e de tudo o resto; se me for pôr a enumerar tudo nunca mais saio daqui. Não tens culpa nenhuma que eu seja exigente com a porra da química.
Tenho duas perguntas.
Primeira: O que vai ser agora de Lady Whistledown? :O Quero mais crónicas dela…
Segunda: A minha relação com as editoras está muito longe do mel, da cola, dos coraçõezinhos tão comuns nesta época, e essas coisas lamechas, mas, há que reconhecer, ultimamente quase todos os bons livros que leio são da ASA, por isso há que felicitar a editora por tão boas escolhas. Certo? Ceeeeerto. Agora que já passei graxa, para quando o próximo, o 5# da série Bridgertons? :P
Mais uma vez, fui deitar-me com um sorriso no rosto. Personagens, histórias e um mundo que me fazem sempre sonhar, a dormir ou acordada. Agora já posso afirmar – chamem-me arrogante ou não – que Julia Quinn é uma das minhas autoras preferidas do género.
Ah, já disse que li o livro num dia? Pois, é a minha maldição, a minha pior tortura…
 10.02.2014 
5*


Comments

  1. Concordo plenamente... amei todos os livros ate aqui, e deixo claro que desde o começo tinha um carinho especial por Colin... estava ansiosa por ver sua história, e meio que também senti que faltou algo ao livro, agora acredito ter sido A química que você citou... Li o livro em um dia, e depois me odiei por isso ... rsrsrsr amei a identidade Lady Whistledown, tenho uma ( por assim dizer) grande amor por ela, e não poderia ter cido pessoa melhor....

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