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"Desejo Subtil" - Série Wallflowers 1# - Lisa Kleypas

Desejo Subtil (Wallflowers, # 1)

Opinião

Depois de ter lido na semana passada A Grande Revelação, de Julia Quinn, disseram-me que tinha de ler Lisa Kleypas, com a argumentação de que, embora não fosse tão divertida, era mais romântica que a primeira. Depois de autoras como Laura Lee Gurhke, Teresa Medeiros, Mary Balogh, Sherry Thomas e Julia Quinn – sendo esta a que mais fortemente estimulou a compra deste livro – seria de esperar que os suspiros parassem, que o sorriso sonhador se apagasse e a mente e o coração se virassem para outras escolhas para além deste género. Inevitavelmente, isso não aconteceu. Existe algo de irresistível dentro destes livros, deste género per si.
Já que as comparações são inevitáveis, devo dizer que continuo a preferir, por exemplo, uma Julia Quinn, embora Kleypas tenha assegurado um lugar na minha estante.
Isto porquê?
A premissa da história é, sem dúvida, excitante. Quatro amigas da alta sociedade, denominadas encalhadas, juntam os paninhos para arranjar marido? Gargalhada garantida. A expectativa torna-se demasiado alta e, para mim, não ficou gorada de forma alguma.
No entanto, gostaria de ter visto mais da personalidade da protagonista, Annabelle. O seu interesse romântico, Simon, dizia que ela era forte e determinada e, infelizmente, só vi essa faceta vincada mais no final. É certo que é preciso uma boa dose de determinação e persistência para aguentar o que Annabelle aguentou, mas atrevo-me a dizer que uma qualquer encalhada, com outras razões e outros incentivos, teria feito o que ela fez, daí que não tenha ficado impressionada com o percurso de Annabelle, com o que ela fez, com o que mostrou e disse.
Simon, por outro lado, foi uma boa surpresa. As pessoas, seja em que época e sociedade for, mostram sempre menos do que realmente são. E porque haveriam de mostrar mais a pessoas desconhecidas que só se desmancham em falsidades e sorrisos perante as boas aparências e as boas reputações, sabendo de antemão que nem sempre correspondem à realidade? Compreendo, de certo modo. É sempre imperativo julgar os outros; rotular parece estar-nos na raça. Saber quem são os nossos verdadeiros amigos é uma das tarefas mais difíceis de se concretizar e Simon resguarda-se para um círculo relativamente pequeno mas de alta confiança.
Foi interessante ver o vai-não-vai deste casal. Annabelle não podia dar-se ao luxo de recusar um marido, convites para dançar e para a corte, mas fê-lo repetidas vezes com Simon, devido à sua reputação, a que se dá demasiada importância. A empatia para com Simon foi muito forte. Pobre ele não é, mas o que teve de aguentar… tanto de Annabelle, como dos snobes que teimam pela altivez, foi louvável de ver. Foram graças a pessoas deste tipo que o pensamento aristocrático foi decretado para segundo plano.
Apesar de tudo o que disse acerca das outras autoras, Lisa Kleypas mostra algo que a difere: um contexto histórico mais rico em pormenores. Este, especialmente, mostra a sociedade para lá da aristocracia britânica, criticada pela visão antiprogressista e pela pala que limitou certos avanços durante tantos anos. Infelizmente, não me recordo muito da Revolução Industrial, nem dos costumes da época, cujo rigor certamente diferencia um livro mais exacto de um menos cuidado, e admito que não sei se as autoras que tenho lido falham nesse sentido, por isso limito-me a escrever sobre o que sinto. Gostei que Lisa Kleypas tivesse assinalado as classes trabalhadoras, as relações e casamento com plebeus e a inevitável exclusão que se lhes segue.
O romance, esse, ficou patente desde as primeiras páginas, embora com pouca intensidade. A índole romântica, sem dúvida, está mais vincada só lá para o meio. Gargalhadas, algumas, sim. Não ri tanto como gostaria, embora algumas tiradas tenham sido geniais.
O final? Que final! Ia-me dando um treco. Mas com este tipo de livros já se adivinha um ‘happy ending’. Gostei que não terminasse como muitos outros – com marido e mulher a mimar o filho/filha no berço ou no colo. O final deixa-nos com um sorriso e aviva a expectativa e ânsia pelo(s) próximo(s), especialmente pelo segundo.
Quanto às restantes três encalhadas, espero conseguir comprar os restantes em breve. Estou muito curiosa com o livro da Lilian e da Evie. Lilian, por saber quem é o seu par romântico, juntos e separadamente fizeram-me rir mais do que os protagonistas deste volume. Evie, porque foi uma das personagens secundárias que mais gostei e simpatizei.
Quatro estrelas bem merecidas :D


16.02.2014 
4*


Comments

  1. O segundo foi o que me desencantou mais, porque a Lillian e o Westcliff entendem-se com demasiada facilidade. Mas o terceiro? Ai meu deeeeeus, nada o bate!

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    Replies
    1. Tenho de mesmo de comprar *.*
      O pior nestes livros é que, por mais que não queira, lêem-se rápido... e nem sempre a carteira acompanha a voracidade da leitura.

      Delete

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