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"Sozinhos na ilha", de Tracey Garvis-Graves

Sozinhos na Ilha

Opinião
Esta opinião pode conter spoilers.
Para quem já viu A lagoa azul, protagonizado por Brooke Shields, e 6 dias e 7 noites, protagonizado por Harrison Ford, e ainda O Naufrago, com Tom Hanks, poderá ter um cheirinho do que o livro nos traz. Apesar dos filmes que mencionei, o livro vai mais além, no sentido de nos dar a visão antes, durante e pós-ilha e protagonistas muito díspares.
Os protagonistas desta história são TJ, um jovem de 16 anos, doente de cancro em remissão, e Anna, uma professora de 30 anos que é contratada pelos pais de TJ para lhe dar explicação, pois devido à doença tinha perdido a maioria das aulas e precisava de as recuperar. Ambos têm problemas normativos da idade, um quer viver e aproveitar a vida ao máximo, divertir-se agora que a doença não passa de uma sombra do passado, a outra quer assentar, constituir família e passar os dias como professora. Contudo, uma viagem que ambos fazem acaba em desastre e vêem-se confrontados com o lema: desenrascar para sobreviver ou morrer. Acho que acabei de o inventar, mas deve dar para entender, porque é mesmo isso que o livro trata.
Quando comecei a ler, pensei ‘bem, um livro inteiro de volta do mesmo, que grande seca que vou apanhar, ainda por cima com uma diferença de idades tão grande os protagonistas não se vão envolver’. Este meu pensamento envergonhou-me. Lá por terem uma diferença de idades de cerca de 14 anos não se podiam envolver? Que preconceituosa me sai, tanto em relação à idade como em relação ao livro. Foi uma grande lição que, espero, não ter de voltar a ter.
Em relação ao livro, devo dizer que para mim está dividido em duas partes: durante a estadia na ilha e o pós-ilha e retorno/adaptação à civilização.
Em relação à idade, foi o pormenor que mais me fez gostar do livro. Foi interessante ver o crescimento de ambas as personagens, com maturidades tão diferentes, vê-las a adaptarem-se, a lutarem para sobreviver, a combater os demónios das suas vidas passadas e o desespero da solidão que ambos enfrentaram. Foi ainda melhor quando se viu a aproximação romântica e as cenas quentes – e não me refiro à temperatura tropical, pelo amor da santa! – quer-se dizer foram quase 4 anos sozinhos numa ilha, com uma mulher madura e um adolescente com as hormonas aos saltos, se não se envolvessem o que se poderia retirar desta leitura que já não se tivesse visto em filmes ou livros semelhantes? Para mim, foi o ponto essencial que elevou Sozinhos na Ilha a uma das minhas melhores leituras este ano até agora. 
O hidroavião despenhou-se – e, agora voltando um bocadinho atrás, - uns 3 meses antes do 11 de Setembro, por isso, as personagens ficaram completamente às escuras dos acontecimentos desde essa data até meados de 2005. E o que aconteceu em 2005, ainda se lembram? O tsunami que arrasou a Tailândia e ilhas tropicais. Por um lado, considerei o resgate um pouco forçado. As personagens sobreviveram ao tsunami e foram salvas e encontraram-se num instante, numa resolução que me pareceu apressada e ‘vamos lá passar para a 2ª parte, para a vida pós-ilha’. Por outro lado, acho que a autora soube aproveitar, à falta de melhor termo, os acontecimentos e conjugou-os bem.
O pós-ilha integrou, por exemplo, a adaptação aos media e o efeito de estupefacção que um supermercado tem sobre os protagonistas por conter tudo e mais alguma coisa em quantidades massivas quando na ilha tinham de racionar a comida, a água e sabe-se lá mais o quê – pormenor que já tinha visto n’O Náufrago.
Psicologicamente falando, não sei que parte teve mais efeito em mim. Na ilha, vi a negação, o desespero, a aceitação de que teriam de se desenvencilhar por ninguém os ir procurar. No pós-ilha vi praticamente a mesma coisa, mas numa perspectiva completamente diferente.

Um livro que recomendo, que mexeu muito com o meu lado empático e, embora não me tenha feito chorar, fez-me ficar com o coração nas mãos. 

3.02.2014 
4*

Comments

  1. Falam tão bem deste livro! :)
    Tenho mesmo de o ler!
    Beijinhos!

    ReplyDelete
    Replies
    1. Não te vais arrepender, é muito giro :) eheh beijinhos**

      Delete

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