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"Um Dia Perfeito" - Quarteto de Noivas 1# - Nora Roberts

Um Dia Perfeito (Bride Quartet, #1)

Opinião

Esta opinião – que irritação, já venho a dizer isto nas últimas 1233929 opiniões… - está atrasada. Pensei sinceramente, antes de abrir o goodreads para ver as cábulas, que tinha dado 4*, mas enganei-me; dei 3*. Pois agora é descortinar porquê. A ver se me recordo. 
No goodreads escrevi que o final foi apressado e posto isto talvez tenha sido isso o que me compeliu a descer o rating. Agora que a razão – maldita! – já foi descoberta, vamos lá à opinião propriamente dita.
Estava algo reticente com Nora Roberts, porque os livros dela surgem como cogumelos e isso fez-me duvidar da forma como são escritos (ghostwriter não é uma ideia assim tão estapafúrdia até porque a mulher ainda tem mais a J.D.Robb como pseudónimo – que eu tenha conhecimento). Além disso também me fez pensar se não seria um Nicholas Sparks ou uma Danielle Steel, embora do primeiro só ter lido três livros e da segunda nem um fazer parte do meu repertório. A comparação, admitamos, era estúpida. Eu não sabia, perdoem-me fãs de Nora Roberts. O Sparks é mais dado a drama e drama e, deixem-me ver, drama. Daniele Steel nem lhe chego a roupa ao pêlo, chamem-lhe preconceito. Nora Roberts, apesar dos seus muitos cogumelos e pseudónimo(s) e – a óbvia – fórmula, tem algo que sabe agarrar os leitores: humor e variedade.
Este Um Dia Perfeito foi o segundo livro que li (o primeiro foi Desejos Secretos) e o primeiro do Quarteto de Noivas, que intitula a série. Ora como o próprio título indica fala sobre um quarteto de mulheres – que com o decorrer se tornam noivas, lógico. São quatro mulheres bem-sucedidas, bonitas, jovens e solteiras: Parker, Laurel, Emma e Mac. Ora a ordem dos livros é invertida e essa inversão nesta opinião foi propositada (nem sei porquê). Quatro mulheres, amigas desde a infância que fizeram do sonho uma realidade. Literalmente, pegaram na brincadeira que tinham em crianças e tornaram-na real, não só para elas mesmas como para muitas outras pessoas. Cada uma encarregue de uma actividade específica (organização com os detalhes, pastelaria, flores e fotografia, respectivamente com a ordem anterior), abriram um negócio: empresa de organização de casamentos e outros eventos. Este primeiro refere-se a Mac.
Mac é fotógrafa. Eu – confesso – tenho um fraquinho pela fotografia. Não do tipo de me verem sempre com uma câmara na mão ou a tirar selfies, muito pelo contrário, raramente ando com máquinas, sem ser as fraquinhas que integram os telemóveis, e tento camuflar-me nas festas e eventos ou fugir ou o que lhe queiram chamar. Por isso, não foi de admirar que a autora tenha sido muito bem-sucedida ao descrever – com bastante humor e seriedade – o dia-a-dia de Mac. Quanto à precisão, só posso confiar no discernimento da autora e do editor em não mandar para o mercado um livro impreciso. Temas como a luz, a posição dos modelos, a objectiva certa, etc, etc, fizeram-me de facto sonhar e entrar na história. Entrar efectivamente. E é engraçado, sempre vi os fotógrafos como pessoas que viam a vida passar através de uma lente e não a vivê-la. A ver os sorrisos, os risos, os olhares, ou uma simples borboleta pairar no ar antes de pousar numa flor… basicamente a ver os momentos e a registá-los. Mac contrariou esta minha visão, ela diverte-se a fazê-lo e nem por isso vive menos do que outra pessoa.
Ora, como para ficar noiva é necessário um homem (isto é discutível!), o nosso protagonista masculino é o Carter, um professor de Literatura. E que professor! Digo que há muitas coisas irresistíveis, mas um homem desastrado às aranhas é uma delas. O que eu me ri com este Carter…
Vou exemplificar um ‘cadinho: um primeiro encontro é, por definição, um momento de grande ansiedade, em que ambos tentam dar o seu melhor para impressionar a outra parte e em que nenhum sabe muito bem como deve agir sem fazer figura de idiota. Ora bem… o Carter é uma personagem espectacular neste sentido. Quantos homens fariam um ensaio do primeiro encontro para assegurar que não deitariam fogo às cortinas ou não entornassem o champanhe para cima da roupa da moça (sem segundas intenções)? Pois, o Carter é assim mesmo, desastrado a esse ponto. É querido ao ponto de não confiar nele mesmo por saber de facto como é na realidade… mas acho que em termos de coração e amor é mesmo assim: há que adorar as falhas e o que torna a outra parte humana. E convenhamos, a Mac não é perfeita – embora eu não me recorde de muito dela – também teve as suas manias e as suas inseguranças, ainda para mais porque tem um trauma chamado Mãe.
A química entre este casal fez-me chorar de tanto rir. A autora conseguiu transpor estas personagens de tinta e papel para umas que facilmente seriam detectáveis numa qualquer fotografia de carne e osso.
O que mais gostei foi que não se centrou no casal protagonista. As outras três mulheres, amigas de infância, têm as suas próprias histórias, e o seu negócio faz movimentar os peões todos, os interiores e exteriores. Atrevo-me a dizer que existe um equilíbrio entre a vida e romance dos protagonistas com a vida e o negócio das restantes do quarteto e personagens secundárias. Todas elas têm importância, todas elas me pareceram vivas e não simples adornos. Isto, claro, foi o que me pareceu. Pode haver quem não ache o mesmo.
Para terminar, repito o que disse em cima: o final foi apressado. Culminou com uma das mulheres do quarteto a ficar noiva – é pá, não venham com ‘é spoiler’, porque a sinopse diz que ela é solteira e a série fala de um quarteto de noivas, façam as contas, masé (que biolência, estou apenas a brincar, gente!), acho que poderia ter sido mais suave. Sabem o que é? Uma pessoa começa a gostar e o que é bom acaba depressa… pois. O que vale é que há mais três livrinhos yeah! Opinião do segundo já a seguir!
03.04.2014 
2,5*

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