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"Rosa Selvagem" - Patricia Cabot

Rosa Selvagem


De vez em quando passo os olhos – numa leitura muito na diagonal – pelas opiniões do goodreads numa tentativa quase inútil de me decidir por que livro ler a seguir. Confesso que me decidi mais por ter colocado na pilha do mês de Abril do que por aquilo que vi… Apesar de tudo e de reconhecer as falhas, este Rosa Selvagem foi uma boa surpresa.
Ultimamente – nos últimos quatro ou cinco meses – as minhas leituras incidiram bastante neste género, no de época/histórico, e seria de esperar que me começasse a fartar ou que os ratings variassem. De certa forma, até variam mas não tanto como em outros géneros. De tantas histórias que já li, é-me muito difícil relembrar de todas e só aquelas a que dei 4* - e ainda assim, tenho dúvidas – e 5* é que me consigo lembrar com bastante detalhe. São os nomes (Edward, Daphne, etc), os apelidos (Lister, por exemplo) e os títulos (Conde, Visconde, Lorde e bla bla bla) e uma pessoa já fica a pensar que as autoras combinaram todas. Enfim.
Tinha as expectativas em baixo. Não conhecia Patricia Cabot, nem Meg Cabot, porque da série O diário da Princesa só vi os dois filmes que produziram e por isso não sabia se a autora iria rivalizar com as outras que tenho na estante. Apesar de ter gostado, não rivalizou pelas razões que passo a mencionar a seguir.
Pela sinopse, vemos que Edward Rawlings ingressa numa viagem para ir buscar o sobrinho, Jeremy, filho do seu irmão e da irmã de Pegeen (a protagonista feminina), para assumir as funções do Duque de Rawlings que, por testamento do pai de Edward, passou directamente para o sobrinho. O problema subsiste quando Pegeen não deixa o sobrinho ir e Jeremy não vai sem a tia. Cabe, portanto, a Edward usar o seu charme – ou seja lá o que for que resulte – com a teimosa tia solteirona do menino.
Li algures que a personagem de Edward estava bem construída. Não sei se foi por ter elevado a fasquia quanto a este ponto, mas achei-o bastante fraquinho. Não quero de forma alguma parecer preconceituosa, e apesar de retratar bem a sua classe, Edward pareceu-me ser um homem rico que nada mais faz na vida a não ser interessar-se por senhoras. Embora a autora tenha frisado – mais do que uma vez, infelizmente, que já me iam saltando os olhos – que era muito simpático com a criadagem e de bom coração, muito diferente do pai e do irmão, tais declarações não me convenceram. Se vi… pouco me ficou e acho que é importante para o leitor assimilar pelas acções das personagens e não pela voz do narrador (não será essa a diferença entre o tell e o show?).
Pegeen MacDougal, por seu lado, e apesar de também ter as suas falhas e os seus defeitos, foi a que me prendeu mais. Filha de um vigário, cuidou do sobrinho desde sempre. Ostenta uma opinião nada lisonjeira sobre a classe de Edward e torna-se um entrave e num desafio que ele terá de ultrapassar. Ao mesmo tempo, Pegeen, por ter vivido toda a sua vida em condições precárias, sabe as dificuldades que as classes desfavorecidas passam diariamente, especialmente as mulheres (sejam elas a que classe pertencerem).
Depois de Edward ter conseguido ganhar uma batalha – a de trazer o sobrinho e a tia para a casa senhorial de Rawlings – Pegeen abstém-se de expressar a opinião sempre que lhe dá na veneta, embora na maioria das vezes não deixe de as dizer. É claro que, de certa forma, as opiniões diminuem pelo choque e pela adaptação por que passa: da extrema pobreza para uma ostentosa pobreza. Apesar de tudo, depois do período de habituação – ou, talvez, mesmo durante, porque não é de um dia para o outro – Pegeen começa a tomar conta da casa de Rawlings, a ver as contas da casa, as despesas exteriores e a administrar com pés e cabeça, algo que as classes mais altas nem sempre têm.
Posto isto, falta-me referir o motivo que movimentou os protagonistas: Jeremy, o sobrinho e actual Duque de Rawlings. Com apenas dez anos, pareceu-me ser uma criança mimada. Talvez por nunca ter tido um pai e uma mãe presentes e/ou por depois da mudança para a casa senhorial todos os criados e o Tio Edward satisfazerem-lhe todos os caprichos por simplesmente ser o Duque, o menino ainda se tornou mais… apatetado. Todavia, uma coisa é inegável: o carinho que ele sente pela Tia, a quem trata por Pegeen.
Ainda temos outras personagens que se revelaram importantes – como Lady Ashbury, a amante de Edward, a quem só apetecia enfiar a cabeça na água e afogá-la de vez, e uma tal de Kathy Porter, que obviamente não vou dizer quem é.

O final é um tanto imprevisível mas não deixou de ser aprazível de ler. Devo ter gostado do romance entre Edward e Pegeen para ter dado quatro estrelas – isso aliado ao facto de abordar ligeiramente, pela voz de Pegeen, o feminismo, movimento ideológico iniciado na década de 60 do século XIX - época em que começa este romance – assim como a importância que se dá às outras classes, os elementos das quais começaram a ser tratados como pessoas e a sensibilização para a caridade… enfim, apesar de não muito vincado, penso que o contexto histórico ficou patente e isso foi agradável de se ler. 

~ Terminado a 18 de Abril de 2014 ~

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