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As editoras e as séries inacabadas

Há muito que não se vê por aqui um post de opinião, uma epifania cá das minhas. Este verão foi marcado pela bipolaridade do tempo que pouco nos deixou ir à praia. Terminada a época balnear, recomeçou a azáfama às lojas para compra de material e também a rentrée literária (tinha de mencionar o regresso às aulas e os livros na mesma frase, sorry.). 

Em Setembro, vai ser publicado um livro muito esperado por mim e por milhares de fãs da autora e decidi que não havia melhor tema do que escrever sobre as editoras e séries/trilogias inacabadas

A verdade é que o mercado literário, como quase tudo em Portugal, é medíocre. O leitor, como consumidor, fica na maioria das vezes a ver navios. Isto traduzido por miúdos significa que o leitor é enganado à grande e à francesa. Já dizia o outro, a ignorância... enfim. Séries como a da Patricia Briggs, cuja editora nem é preciso mencionar, e que até tinha um leque considerável de leitores foi terminada por opção editorial. 

E o livro que vai ser publicado em Setembro trata-se dos últimos três capítulos do segundo volume, Tatiana da trilogia de Paullina Simons. Uma trilogia que não vai ser terminada e a editora vai vender como tal. Wow, what? A Titinha, no seu blog, resumiu a situação muito bem. A ASA, que é das editoras que mais sigo, deixou-me possessa. E, (in)felizmente, não fui só eu.


Créditos da imagem: Titinha

Resumo: Trilogia virou duologia com três livros. Mas 'bora, vamos rir mais um bocadinho...


A justificação da ASA veio pela magnífica expressão "opção editorial". 

Ok, vamos por partes.

OPÇÃO EDITORIAL. É que só podem estar a brincar. Se dissessem logo que estão tesos e que não foi propriamente uma opção, talvez a malta se compadecesse. Ou talvez não; todos os negócios têm os seus riscos. Se a editora está em vias de fechar as portas ou os lucros líquidos nem sequer chegam para pagar a tinta e o papel, com jeitinho ainda dá para contornar a situação. Rever estratégias de poupança, cortar onde deveria ser cortado, em vez de prejudicar o people que lhes dá o dinheiro para sobreviver.

Continuando, o que leva as editoras a estas OPÇÕES EDITORIAIS ridículas que só prejudicam o leitor?

Por exemplo, a Planeta é das editoras mais caras em Portugal. Vejamos: as edições têm badanas e as capas são fantásticas, muitas vezes com efeitos brilhantes (basta ver as da Cassandra Clare). Acho que ainda não vi uma única capa da Planeta da qual não tenha gostado. Muito ou pouco, acabo sempre por simpatizar. As traduções, a divulgação, o marketing, paginação, bla bla bla, são apenas algumas parte do processo editorial. No entanto, e vendo em retrospectiva, talvez o leitor comprasse mais se tivesse um produto mais barato com uma capa... mediana e com um livro em formato bolso. Eu sei. A maioria não gosta, fomos habituados a livros com tamanho normal. Lá fora não é assim. É quase tudo corrido a versão bolso e a metade do preço. 

Talvez - e agora estamos a entrar no campo contaminado das suposições - se as editoras investissem em edições menos TCHARAN e UAU e se limitassem simplesmente a vender livros pelo gosto da literatura, talvez, TALVEZ, o pessoal comprasse mais, talvez o mercado português não estivesse a definhar e pelas ruas da amargura, talvez...! O problema é que muitas editoras, não digo todas, publicam pelo lucro. Bom, quem os pode censurar, certo?

NÓS!!!  Isto é como aumentar os impostos e reduzir os salários. Torna-se contraproducente. Se querem que uma pessoa compre mais, façam preços competitivos. Eu posso estar a falar por falar, a mandar bitaites para o ar, a dizer disparate atrás de disparate, mas gostava de entender. 


Só uma nota para termo de comparação, hoje à hora de almoço vi uma notícia de que os salários aumentaram para os directores e outros postos elevados na hierarquia e os operários, coitados, viram os seus honorários baixarem em mais de 1%. Há quem pense estupidamente que a percentagem é irrisória, mas para quem tem de contar os cêntimos ao fim do mês, o corte é extremo. 

Sei perfeitamente que as editoras têm gastos, têm salários para pagar, têm contas para acertar, mas e as outras? Pá, desculpem lá bater na mesma tecla, mas é que não me assiste mesmo. Não me cabe na cabeça um livro custar quase 20€ ou livro ser dividido em dois - que nem divisão se pode chamar - e ser vendido com falácias de um conto e quinhentos. 

Como estes exemplos, há muitos por aí e os consumidores, principalmente os que não têm acesso ao facebook e/ou blogs, são enganados sem o saberem. 

Pronunciem-se. 

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