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"Convergente" | Veronica Roth

Convergente (Divergente, #3)


Ler este volume não foi fácil. Opinar também não o vai ser. Já em Insurgente tinha sentido falta de algo e agora digo – sem certezas – que foi o estilo de escrita de Veronica que me deixou de pé atrás. Já volto a pegar neste ponto.

Muitos leitores detestaram Convergente devido ao twist final. Eu cá continuo fiel ao que disse assim que tomei conhecimento por me spoilar no blog da autora: é perfeito. Posso não concordar com ele, mas isso já é outra história. Um enredo que sempre elevou a fragilidade do ser humano e os sacrifícios que faz por aqueles que ama só podia acabar assim.

O que me levou a dar três estrelas e meia não foi a relação do Four e da Tris, que teve um retrocesso ou talvez - e mais provavelmente - uma estagnação; nem sequer foi um final ‘inesperado’. De certa forma, acho que sempre esperei que terminasse assim… Foi sim o estilo de escrita e a demora da autora em explicar-nos o que estava por detrás das cinco facções que dividiam a sociedade de Chicago.

Estilo de Escrita
Já no volume anterior tinha notado. Senti dificuldade em visualizar certas cenas. Por falta de atenção ou pelo ritmo de leitura, tentei arranjar desculpas para isso, porque a premissa da trilogia era interessante e apelativa. No entanto, ao chegar ao terceiro deparei-me com alguns pormenores:
1) não senti emoção – os leitores que seguem a trilogia sabem que houve mortes – não vou dizer quem morre, mas a verdade é que as descrições de Roth foram quase sempre isentas de dor, de sofrimento, de qualquer emoção. Era como se fosse um baralho de cartas a cair. Agora uma, depois outra, e o resto do baralho desmancha-se, mas oh!, paciência… Pode haver quem discorde, mas eu não senti nada;
2) esqueci-me das personagens, e talvez tenha sido culpa minha, mas a autora talvez não soube ter em atenção que os livros foram publicados com um ano de intervalo cada e devia ter tido a sensibilidade de relembrar o leitor sem o aborrecer de morte;
3) neste volume temos dois pontos de vista. Tive de verificar N vezes quem falava, se o Four, se a Tris. Eram tão semelhantes, que em quase nada diferiam um do outro.

Enredo
Finalmente ficamos a saber por que razão Chicago se encontra dividida em cinco facções. Para quem já viu o filme, a Tris introduz um pouco da história, algo desde género: “Depois da guerra, e de forma a manter a paz, Chicago foi dividida em cinco facções, bla bla bla…”. Qual guerra?! Sei que já li Divergente em 2012 e Insurgente em 2013, mas se li algo sobre a Guerra [da Pureza] foi a meio do segundo volume e devido ao problema que tive com a escrita não consegui reter esta informação. É claro que no filme teriam de dizer alguma coisa para se perceber, só que a questão central aqui – e é apenas a minha opinião – é que a autora demorou a dar-nos certas informações.
Dito isto, ficou a faltar algo neste volume. Não houve tanta acção, o livro ficou extenso mais pelos dois pontos de vista do que propriamente devido à diversidade de cenas que constituíram o enredo. A conversa de genes danificados e genes puros não me convenceu minimamente; para a carga emocional que a trilogia podia ter tido, a descoberta do problema e questão central soube a pouco. Foi uma pena.


Apesar de tudo, a autora foi corajosa pelo twist que integrou e pela mensagem que tentou passar. A fragilidade humana, a pequenez, a precariedade… o amor, os sacrifícios que se faz por aqueles que se ama… são temas que mexem muito com o leitor. 

~ Lido de 11 de Abril a 24 de Julho de 2014 ~ 

Comments

  1. Olá :)

    Eu por acaso até me emocionei bastante neste livro :')

    Concordo contigo no esquecimento das personagens e bastava uma frase para as enquadrar.
    Por acaso, também me questionei acerca da Guerra da Pureza e lá peguei no Divergente e, de facto, quando a Tris fala a primeira vez sobre as facções alega e existência de uma guerra (sem relação com a temática dos genes) a partir da qual se concluiu que eram as fraquezas do homem a causa da sua própria destruição, pelo que a sociedade dividida de forma a cultivar cada virtude seria a solução. Basicamente, o que ela diz no filme.
    A conversa de genes danificados e genes puros também não me convenceu totalmente, talvez porque a Veronica Roth complicou ao tentar descomplicar com extensas explicações!

    Se quiseres ler a minha opinião deixo aqui o link: http://bloguinhasparadise.blogspot.pt/2014/08/opiniao-convergente-veronica-roth.html

    Tomé

    ReplyDelete
    Replies
    1. Olá Tomé :)

      Temos opiniões parecidas neste caso. Sim, de facto, falhou ali qualquer coisita...

      Já segui o link e deixei comentário. Não sei se já conhecia, mas fiz-me seguidora. As opiniões são do estilo que eu gosto!


      Delete

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