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Lucy | Movie Review

Enquanto os homens da família foram ver o derby ao Estádio da Luz, as meninas foram ao cinema. Escolhemos Lucy e, para cumprir o que disse neste post, vou tentar fazer "opiniões" dos filmes que vejo, sejam visionados no cinema ou em casa.


 
Título: Lucy
Director: Luc Besson
Elenco: Morgan Freeman, Scarlet Johansson
Estreia: 25/07/2014
Sinopse: Aqui
Cotação:


Sou fã de Ficção Científica, papo os filmes que vão saindo e só não vi os mais antigos por falta de tempo ou por outras prioridades que tenho na minha lista.  É certo que não sei opinar sobre o tema e muito me falta saber sobre ele, por isso espero que a partilha destes textos me ajudem a desenvolver. 

Há alturas em que calha o trailer ser melhor que todo o filme como no Twilight e esta é uma delas. Não desgostei, atenção, mas fora as questões filosóficas e existenciais, falhou ali qualquer coisita. E por qualquer coisita, está claro que usei um eufemismo. 

Primeiro: O filme tem um início abrupto. Estimo cá para mim que Luc Besson quis introduzir acção logo desde o princípio e, ao invés de ser bem sucedido, falhou redondamente. Os livros costumam ter o que se chama inciting incident que é o que despoleta o problema e faz o protagonista mexer as perninhas. Neste caso, começamos por ver a personagem principal [Scarlet Johansson], uma estudante não me recordo agora de quê, que se recusa a cumprir o que lhe pede o homem com quem anda a sair. O pedido? Entregar uma mala. Às tantas, vê-se presa à tal maleta misteriosa e no meio de um grupo de "gorilas" armados até aos dentes. Só então sabemos o nome dela, ou melhor o pseudónimo já que ela nunca diz o verdadeiro. Lucy foi escolhido em homenagem à primeira "humana", um paralelismo simbólico que achei interessante e nada ocasional. 

Segundo: Foi aqui que o filme começou a sua queda. Em conjunto com outros desgraçados, a rapariga é forçada a entrar no tráfego de uma nova droga que promete revolucionar a Europa. A ideia é interessante e a meu ver exequível. No trailer e na sinopse, podemos ver que o produto acaba por se libertar dentro dela e, em vez de lhe provocar uma overdose, dota-a de poderes sobrenaturais. Poderes escondidos na percentagem de inteligência que nós, humanos, não utilizamos. À medida que a percentagem sobe, consegue manipular o próprio corpo e os dos outros, a matéria, etc. 

Depois disto, é-nos introduzido um pouco de teoria. O ser humano usa apenas 10% de inteligência e o Professor Norman, a personagem de Morgan Freeman, introduz questões pertinentes. "O que acontecerá se algum dia alcançarmos os 100%?", "Por que razão o ser humano usa uma percentagem tão diminuta?". Os golfinhos, como mamíferos que são, usam 20% e são capazes de detectar a nossa posição como se tivessem um GPS integrado. São capazes de empatizar com os outros seres vivos e são criaturas dóceis e serenas. Tomara que o ser humano fosse tão pacífico... 

No entanto, a questão permanece. Será que não utilizamos mais percentagem como um mecanismo de defesa? Será que é seguro chegar à percentagem total? Quando algo é sobrecarregado de energia, acaba por explodir, e o mesmo pode acontecer ao ser humano. 

A rapariga, Lucy, não chega logo aos 100% como se tivesse um interruptor on-off, a subida é gradual e incita-a a procurar os culpados para os castigar ao estilo Kill Bill antes de ficar incapacitada. Um ponto que considerei bem explorado: Lucy vai perdendo a sua humanidade e, à medida que a percentagem usada ia aumentando, ela ia ficando menos humana, até as expressões, os movimentos, os sentimentos por outrém. O termo desligada enquadra-se muitíssimo bem aqui e a vingança parece-me um sentimento, uma necessidade emotiva que vai contra o conceito do filme. E assim veio o meu torcer o nariz. As motivações da personagem pareceram-me isentas de significado.

Terceiro: A nova missão de Lucy faz a qualidade descer a pique. Fugas e perseguições descabidas, personagens ocas e sem qualquer background que às vezes conseguimos ver noutros filmes, mesmo tendo temáticas tão difíceis de explorar em tão pouco tempo. 

Final: O final é intrigante e chocante. Deixa a dúvida no ar, a incerteza do que realmente aconteceria se o ser humano começasse a usar mais percentagem da sua inteligência. E eleva o nosso medo racional de que um dia desapareceremos da face da Terra, de que tal como os dinossauros também nós nos tornaremos uma espécie extinta - a diferença está em sermos nós o nosso próprio inimigo. 

Em suma, é um filme que aborda questões pertinentes sobre a complexidade da inteligência humana e a linha que separa humanos de "máquinas". Falhou redondamente no enredo e nas restantes personagens que ficaram subdesenvolvidas, tratando-se de um filme mais virado para a acção sem objectivo ou com um único objectivo mal definido. Apesar de tudo, ganhou pontos extra devido às reflexões que suscita no público. 

Comments

  1. Estava curiosa para ver este filme, mas depois mudei de ideias... ponto 1 - n gosto da Scarlet, ponto 2, acho o filme com muita treta, pelo menos do que me apercebi...

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    Replies
    1. Nada como tirares as tuas conclusões. É ficção científica e até tem sido elogiado pela crítica. Apesar de motivar à reflexão - é, sem dúvida, um tema interessante - falha imenso no plot e nas personagens :( mas, claro, é só a minha opinião. Vê por ti, um dia que possas. O filme não é comprido.

      Delete

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