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"Meu Único Amor" | Cheryl Holt

Meu Único Amor

Título: Meu Único Amor 
Autor: Cheryl Holt
Editora: Quinta Essência
Publicação: Agosto | 2014
Título/Publicação Original: My Only Love | 2000
Sinopse: Aqui
Cotação



Este livro foi lido em conjunto com a Cata [aqui] e com a Ruiva [aqui]. Tenho tanto para dizer que nem sei como e por onde começar. Ao longo da leitura, fui registando mentalmente as minhas considerações e só não as escrevi porque tinha medo de não conseguir continuar a ler. É claro que soou tudo muito melhor – ou pior – na minha cabeça. 

Vamos lá, coragem.

Começo por dizer que a leitura conjunta ao início desgostou-me. A Ruiva e a Cata não gostaram da personalidade de Adam e de muitos outros tópicos abordados pela autora e, principalmente, de como ela os abordou. Já eu gostei do início, foi um bom prenúncio do que poderia ter sido. Poderia.

Muito resumidamente:
Depois da morte da mãe, Maggie, uma bastarda, e Annie, uma velha amiga, viajam de férias. Ante à ameaça de serem postas na rua pelo actual Senhorio e dono da casa onde moravam devido à cessação de favores que a falecida fornecia como amante, pareceu-lhes na altura uma boa ideia. Do outro lado temos Adam, um Marquês cheio de responsabilidades, e James que se congratula pelo título ter calhado ao primeiro; os dois irmãos decidem que chegou a hora de uma escapadinha. Surpresa das surpresas, encontram-se com as duas damas. [Quem não denotou o sarcasmo deste parágrafo que o volte a ler.] Até aqui tudo bem, temos a protagonista, Maggie, e o protagonista, Adam, com problemas e cada um a tentar resolvê-los à sua maneira.  

Depois de a escapadinha ter chegado ao fim, ou o fim ter sido acelerado por, sei lá, um Marquês indeciso, a coisa começa a descambar.

Ao longo de todo o livro, o que mais li foi “eu, eu, eu”. Juro que não me recordo de uma única personagem que tivesse sido tão egocêntrica e tão egoísta como Adam. Não foi, porém, a minha antipatia por ele que fez com que ficasse a odiar o livro já que estava preparada para o desculpar da maioria das coisas que havia dito e feito. Creio que todos nós cometemos erros, seja de julgamento ou de comportamento ou do que for e, por norma, costumo fazer um apanhado no fim e aí fazer as minhas conclusões, tirar o bom e o mau da leitura. Talvez tenha sido por isso que a leitura conjunta me tenha entristecido ao início, já que nem comigo mesma costumo fazer juízos tão precocemente. Sim, faço umas notas mentais sobre o que gostei e o que não gostei, mas fico-me por aí até ter algo mais palpável que me dê ou tire a razão.

A questão mantém-se: por que razão odiei o livro?
Vou por tópicos.

Personagens
Adam: como já disse, é uma das personagens mais egocêntricas e egoístas que tive o desprazer de conhecer. E, reconheço, isto acaba por ser uma faca com dois gumes. Se, por um lado, os leitores poderão sentir empatia com a personagem porque, coitadinho, teve uma vida cheia de responsabilidades e o peso da sociedade sobre ele e a mãe [que é uma velha angustiada e rancorosa] sempre a lembrá-lo disso; por outro, só fez com me abrisse os olhinhos. Tendo lido alguns livros de época este ano e, consequentemente, autoras que considero excelentes e mestres no género, tenho a dizer que a fórmula de Holt não só me entristeceu como também me chateou profundamente. Já li livros que tinham bastardas como protagonistas e nunca os protagonistas agiram como este Adam agiu. Não casar porque ela era uma bastarda e filha de uma prostituta? Que tenha dó e, perdoem-me a linguagem, que ganhe tomates, porra. E ainda choramingar por causa disso, fazendo-a sentir-se culpada? Está. Tudo. Errado.

Maggie: Se Adam é um indeciso e um egoísta, Maggie é a personificação do que as mulheres não devem fazer. Primeiro, sendo filha de uma prostituta e amiga de outra, foi-me muito difícil engolir a inocência da rapariga. Sim, podia ser virgem, concedo, agora não conhecer os galanteios e piropos do público masculino porque foi protegida pela mãe? Que desculpa esfarrapada. Segundo, a passividade com que aceitava o “agora-quero-agora-não-quero” de Adam foi de rolar os olhinhos e reprimir gritos de frustração. Terceiro, o amor cego que lhe devotava e as coisas que dizia quando ele se punha a lamentar que não podia casar com ela porque… Ahhhh!!! Não consigo mais pensar nela. A pior protagonista de todos os tempos.

Outras personagens como Duque de Roswell e a sua filha, Peggie, e Charles, o primo de Adam e James, sofreram de algo a que chamo situações de conveniência. Tudo o que acontecia favorecia ou enegrecia convenientemente o futuro dos protagonistas. Já nem falo, mentira, vou mesmo falar do conveniente que foi o twist [para mim foi tão despropositado e estúpido como enfiar uma faca no olho] que envolveu a personagem de Charles. E só agora me lembrei de referir que muitas das acções foram imensamente previsíveis. Previsíveis e cliché com’o catano. Julgava eu, na minha inocência e ignorância, que a autora iria dar a volta por cima e tirar uma carta mágica da manga. Qual quê? Foi mesmo pelo que estupidamente [e acertadamente] pensei.

A segunda parte do livro foi caracterizada por drama e mais drama, intrigas, choraminguices de um lado e doutro por não poderem casar, mais intrigas, acções egoístas, volto a frisar, e infantilidades.

Quanto ao Senhorio da casa que colocou em marcha o rumo das personagens logo ao início, nunca mais se ouviu falar dele. É belo, devo dizer. Belo! Holt no seu melhor. Ouvi dizer que este era o melhor livro da autora e caso se verifique a veracidade da afirmação – não por agora, como é óbvio, que só voltarei a lê-la quando me esquecer deste – lamento dizer que a fasquia está muito baixa. Opiniões são opiniões, tudo bem, pronto. Admito que digo isto com uma certa arrogância. A sequência de acontecimentos, muitos diriam estrutura ou enredo penso eu, é tão pobre que nem sei expressar-me. Poderia ter sido tão… melhor, muito mais do que foi e saiu esta completa bodega.

Termino dizendo que o romance entre Adam e Maggie careceu de paixão, de emoção, sendo mais recordado pelas cenas ridículas do que por outra coisa qualquer.


O final, o epílogo, tenho cá para mim que a autora tentou sensibilizar o leitor, puxá-lo para a lágrima, mas para mim que já estava deserta de o terminar e nunca mais o ver foi a gota de água. Simplesmente… Holt… a sério, mulher, só quando me esquecer deste. 

Eu gostaria de ter gostado. A sério que sim. Infelizmente, não foi possível.

Comments

  1. Ainda fico possuída só de pensar nele. Tenho que me acalmar antes de gravar opinião (mas penso que aproveito e espero para a lançar em Outubro no meu projecto mensal xD )

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