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"Um Amor Quase Perfeito" | Sherry Thomas

Um Amor Quase Perfeito

Título: Um Amor Quase Perfeito 
Autor: Sherry Thomas
Editora: Quinta Essência
Publicação: Maio | 2011
Título/Publicação Original: Private Arrangements | 2008
Sinopse: Aqui
Cotação

~ OPINIÃO ~

Terminar esta leitura foi uma vitória. Já tinha lido Promessas de Amor da mesma autora e fiquei encantada com a escrita. Em Um Amor Quase Perfeito o problema não foi a escrita, mas sim o romance em si. Sendo do género romance de época, em que figuram elementos como o contexto histórico, o romance dos protagonistas e algum erotismo, devo dizer que o romance ficou muito aquém do que Sherry Thomas tem para nos dar.

Contexto Histórico
No final do século XIX, temos uma sociedade industrializada, cidades povoadas por todas as classes (que se começam a fragmentar), um aumento e maior acesso à escolaridade, desenvolvimento dos comboios e dos veículos automóveis, etc, etc, etc, em que nomes como Benz figuram nesta estória.
Já fui mais fã de História, já soube as datas todas e, desde que renovei o interesse com a leitura de romances históricos/época, tenho estado mais sensível ao contexto que envolve cada livro. Isto para dizer que não sou nenhuma expert, mas pareceu-me que Sherry teve sensibilidade e inteligência para integrar o contexto no romance.

Enredo
Depois de ler a sinopse, pensei que já tivesse lido este livro. Afinal não, fui a ver e o argumento principal - casamento por aparente interesse económico, matrimónio de dez anos e vidas separadas, reconciliação para gerar um herdeiro – é igual ao livro de Laura Lee Guhrke, A Cama da Paixão, curiosamente publicado em 2002.
No entanto, e mesmo com as semelhanças, o romance dos protagonistas foi fraco, isento de emoções fortes. Não consegui estabelecer empatia. As cenas eróticas foram a despachar – e refiro isto, porque os romances de época que tenho lido têm todos um toque de erotismo – e os protagonistas pouco falaram entre si, o que me leva ao ponto seguinte.

Analepses
Para mostrar como o casal esteve casado durante dez anos sem, no entanto, partilhar uma vida conjugal, a autora recorreu a inúmeras analepses entre 1982/3 e 1993. Até certo ponto, compreendi o uso desde recurso, mas a sua frequência foi algo que me aborreceu, porque inúmeros capítulos foram palha. A autora podia ter aproveitado para desenvolver o romance dos protagonistas, imprimir mais interacções entre ambos. Ao invés, Sherry optou mais pelo passado e desenvolveu pouco o ‘presente’ de Camden e Gigi. Também a integração da história paralela da mãe de Gigi, Mrs. Rowland, me pareceu despropositada e algo palha, com partes de infodump que me aborreceram de morte.


Em suma, foi uma leitura um pouco penosa, com um final apressado, algum infodump e muitos capítulos-palha, nomeadamente sobre a mãe da protagonista, com o seu romance com o Duque de Perrin paralelo ao romance principal, e o recurso a analepses para mostrar os dez anos de casamento de Gigi e Camden. Se a autora se tivesse focado mais no romance 'do agora', teria sido bem mais interessante. As três estrelas justificam-se pelo contexto histórico, a meu ver, bem explorado.



Biografia da autora
Sherry Thomas chegou aos Estados Unidos aos treze anos. No espaço de um ano, com a ajuda do seu fiel dicionário de inglês-chinês, já lia romances históricos de 600 páginas. O vocabulário que respigou dessas histórias marcadas pelo tom de insaciável paixão tornou-se muito útil quando começou ela própria a escrever romances. 
Sherry tem um bacharelato em Economia pela Universidade da Luisiana e um mestrado em Contabilidade pela Universidade do Texas. Viva na zona central do Texas com o marido e os dois filhos. Quando não está a escrever, gosta de ler, jogar jogos de computador com os filhos e… ler ainda mais um pouco.
O Fruto Proíbido foi eleito Melhor Romance de 2008 pela publicação Library Journal e escolhido como Top Pick e Fresh Pick pela revista Romantic Times e pelo sítio Fresh Fiction, respectivamente. O romance de estreia da autora, Private Arrangements, foi considerado um dos melhores livros de 2008 pela revista Publishers Weekly.




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