Skip to main content

"Um Amor na Cornualha" | Liz Fenwick

Um Amor na Cornualha

Título: Um Amor na Cornualha
Autor: Liz Fenwick
Editora: Quinta Essência
Publicação: Junho | 2014
Título/Publicação Original: A Cornish Affair | 2013
Sinopse: Aqui
Cotação

Um amor na Cornualha não foi a minha estreia com a autora, já tinha lido em 2013 A Casa dos Sonhos, também publicado pela Quinta Essência. Infelizmente, não fiz opinião e já pouco me recordo da história e das personagens. Sei que gostei o suficiente para dar quatro estrelas – na altura – e por ficar empolgada com a tradução deste volume que estranhamente é o primeiro cronologicamente falando.

Para ser sincera, a melhor tradução para este livro seria “Uma Casa na Cornualha”, mas sendo que esse é o título original do primeiro [A Cornish House, traduzido para A Casa dos Sonhos] podia causar alguma confusão. Porquê esta minha crítica? O romance entre os protagonistas, Jude e Tristan, foi pouco desenvolvido e, consequentemente, acentuado, focando-se nos temas adjacentes que constituíram o resto da história.

Começando pelo princípio, passo a expressão e como diz a sinopse, Jude foge no dia do seu casamento porque não se sente ela própria, sente que está a caminhar sob a alçada dos outros e a não casar por ela mesma, sente que isso não é o correcto para ela e que o está a fazer para corresponder às convenções dos outros. Até aqui tudo bem. Depois da fuga, aparece a oportunidade de ir trabalhar para a Casa Pengarrock, legado da família Trevillion há mais de seiscentos anos.

O que me agarrou ao livro foram as descrições. A escrita da autora é simples, directa, com um toque de romantismo sem afectar a sua credibilidade ou sem causar aborrecimento ao leitor. Eu fiquei com vontade de visitar a Cornualha e viver na mansão descrita só pelas palavras de Fenwick.

Tristan Trevillion, o filho pródigo, à boa casa torna e não pelas melhores razões. Aqui veio o primeiro conflito que me pareceu forçado e despropositado: [spoiler] a morte de Petrock [fim de spoiler]. Já tinha lido numa outra opinião e é seguro afirmar que a própria mansão de Pengarrock é uma personagem do livro. Encerra um passado de mais de meio século, com diversas personagens, com lutas interiores e mistérios por resolver. Petrock estava a meio da resolução de um “puzzle” quando o tal confronto ocorreu, deixando Jude com a difícil tarefa de incutir algum juízo ao filho de forma a salvar o património cultural e o legado familiar.

O que me chateou foi a autora ter tentado enfiar diversos conflitos. Foi interessante ter visto background de tantas personagens diferentes: do pai de Tristan, o brilhante académico Petrock Trevillion, do próprio Tristan, de Helen, a governanta da casa, dos habitantes da vila como o Mark e a Tamsin – personagens que curiosamente aparecem no segundo e das quais infelizmente não tenho qualquer memória. No entanto, vemos diversos conflitos do passado recente e distante: românticos, familiares e de antepassados. Um deles entre Tristan e Mark que ficou muito mal resolvido ou, pelo menos a meu ver, não teve um fecho concordante com o resto da história; já para não falar dos próprios conflitos e fantasmas que envolvem a personagem de Jude que os traz a reboque da América até Pengarrock.  

Como já afirmei anteriormente, o romance ficou mal desenvolvido. Já ultrapassei o facto de as personagens terem por vezes atitudes com as quais não concordo, mas não é isso de que falo aqui. O mistério e restantes conflitos foram demasiado pesados e tiraram um pouco do protagonismo ao romance, daí a minha crítica de há pouco.

O final foi com efeito bola de neve, muito rápido e com uma resolução com menos de dez páginas. Não me trouxe qualquer emoção enquanto leitora ter descoberto o enigma tão tarde e a correr – que para dizer a verdade se torna claro ao fim de tantas páginas a falar do mesmo – e até posso dizer que foi anticlimático.

Justifico a cotação, porque acima de tudo foi um livro que me entreteve por umas boas horas, com descrições paisagísticas que me apaixonaram e com temas interessantes como a autodescoberta, a procura por algo mais, a valorização da família e do legado dos antepassados. Liz Fenwick tem um estilo muito próprio e creio que se tornou evidente para mim através desta segunda leitura da sua autoria. 

Comments

Popular posts from this blog

Contos| 5 ideias para escrever

Depois de um mês que foi um D E S A S T R E, surge Março com a luz ao fundo do túnel. 
Ainda estou doente, mas se não me puser de pé o corpo e a mente habituam-se ao bem bom da caminha e não pode ser. Chega de mandriar. De pé, decidi escrever. Como se uma coisa tivesse a ver com a outra...
Eu repito: decidi escrever. Em 2013 terminei o meu primeiro draft e fiquei com menos um esqueleto na gaveta com a promessa de reduzir os restantes. Em 2014, peguei-lhe e dei-lhe uma volta de 180º, integrei muitas coisas, novas situações, personagens, twists, mas... achei que ME faltava algo enquanto escrevinhadora, talvez mais experiência como leitora. Vai daí, deixei as ideias em lume brando e dediquei-me à leitura; li de tudo, li muito, li livros pequenos e grandes, em português e inglês, físicos e e-books. 
Em 2015, propus-me a terminá-lo. E quem anda nas ruas do editanço e etc e tal, sabe como funciona. Aiiii, que isto está tão bom. Hãããn qu'é que andaste a beber?!?! Está horrível! Fui eu que e…

"A Grande Revelação", de Julia Quinn

Goodreads
Opinião
Quando se trata de Julia Quinn, não consigo ser imparcial. Não, correcção: não sei ser imparcial. Para falar a verdade, não que o seja nos outros livros que leio, mas com esta autora é diferente.
Este livro é especial, por muitos motivos. Um deles é ter revelado o GRANDE segredo que é absolutamente fenomenal. Ainda outro prende-se pelo dom que ambos os protagonistas têm em comum. Um gosto que também é o meu... e não, não vou dizer qual é porque seria um spoiler de todo o tamanho. Esperei muito tempo – talvez umas duas semanas para comprar o livro que eu pensava que sairia a dia 27 de janeiro, e mais duas semanas para comprá-lo efectivamente depois do lançamento - mas, puf, isto não é nada certo? Nada, comparado com os meses que ficarei à seca à espera do 5#, oh dear Lord…Focando a história, que isso é que importa, tinha muitas expectativas sobre ela. Quando lemos um ou dois livros de uma dada autora, ainda é como a outra. É novidade e, por gostarmos tanto, tanto, tanto,…

yWriter

Nota aos LeitoresDecidi partilhar algumas dicas, programas, sites, etc que me têm ajudado a desempenar na escrita. Incrível foi eu já ter este post escrito e agendado e alguém me dizer: tenta usar a escrita e o blogue como "testemunho" e não como "confidência". Por isso, eis-me aqui... com uma dica que me tem realmente ajudado! 
 *

Utilizo este programa há uns anos e só tenho coisas boas a dizer!

O que é yWriter?