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"A Desumanização" | Valter Hugo Mãe

A Desumanização

Título: A Desumanização
Autor: Valter Hugo Mãe
Editora: Porto Editora
Publicação: Setembro | 2013
Sinopse: Aqui
Cotação


Desde que retornei às leituras em meados de 2012 que uma das minhas resoluções foi dirigir a minha atenção para os autores portugueses. Em 2014, consolidei a ideia com a decisão de ler 1 autor nacional por mês. Infelizmente, alguns meses não consegui ler ou por não ter lido de todo – como o caso de Junho que contou com 0 leituras – ou por não ter conseguido incluir no meu plano mensal – como o caso de Agosto. Tenho, no entanto, tentado actualizar-me e Valter Hugo Mãe estava na minha lista principalmente por ter ouvido boas críticas quanto ao livro “A máquina de fazer espanhóis”. 

Posto isto, começo por dizer que antes de pegar no ebook vi o livro numa livraria. Eu sei, é para pasmar de tão inusitado… isto de ver livros numa livraria! -.-‘ 

Adiante a piada… A capa atraiu a minha atenção, o título suscitou uma natural curiosidade e o tamanho pequeno uma estranheza – não que os livros se “meçam aos palmos” que é como quem diz pela grossura que mostram, mas porque não é normal a PE ter livros tão pequenos. 

E o que vi quando folheei ainda me pasmou mais do que ver uma livraria cheia de livros (eu sei, tenho de acabar com este humor sem piada): vi letras garrafais, margens de dois a três dedos e umas míseras 200 e tal páginas. 

Já em casa, verifiquei que o livro está classificado como romance – de que género?, fica a pergunta - e considerei o tamanho muito pequeno para essa classificação. De facto conta com pouco mais de 46,000 palavras enquanto o romance exige mais de 50,000 para ser denominado como tal. Isto pelo pouco que eu sei, mas que sei eu, certo? Não sou editora da PE nem nada que me valha a esse nível. Já o género, não sei onde inclui-lo, a própria sinopse não descortina muito bem e as livrarias nem sempre acertam (classificando eróticos como históricos e históricos como eróticos e outras pérolas do tipo), por isso realço a questão pela segunda vez.  
Com esta leitura recorri a algo que não é meu costume: parar a leitura. Parei e retomei. Continuava na mesma. Voltei a recorrer a outra técnica: ler opiniões durante o processo… Para me motivar, para ver se de alguma forma iria melhorar, se o problema era só meu e eu é que estava a ser piegas – sim, porque tenho todo o direito a sê-lo como qualquer outro leitor – ou se de facto o livrinho tinha ali qualquer problema de comunicação em atingir o leitor.  

As conclusões a que cheguei de acordo com as opiniões:
- Para quem quiser começar, “A Desumanização” é um bom exemplar. 
- Não é dos melhores do autor – nem pouco mais ou menos. 
- Tem uma escrita considerada suis generis, que é como quem diz única dentro do género [ao que eu volto a perguntar que género, porque continua a não me ser perceptível]  
- Conceitos abordados pelo autor neste volume – Deus, solidão, morte, sofrimento – resumindo: temas nada fáceis de abordar e os quais têm de ter um certo tacto por parte do autor e talento em conjugá-los de forma a não aborrecer – que para nota futura foi o que me aconteceu. 
- Alguns leitores não chegaram a terminar o livro [haja esperança, afinal não sou só eu a ovelha negra!].

Depois disto, a minha opinião propriamente dita:

- Para quem quiser começar, “A Desumanização” é um péssimo exemplar. Não tenciono voltar a pegar em VHM tão cedo. A escrita não me cativou, a forma como abordou os temas não impressionou, a sequência de ideias pareceu-me algo caótica e dado que os temas não são fáceis de abordar e de ser interpretados isso não ajuda a uma leitura *agradável*, digamos assim. Quem estiver para aí virado, força, mas fica avisado.

- Mesmo por não ser considerado o melhor do autor é que digo que é um livro péssimo para começar, mas não posso dizer mais porque só li este e deixei-o pendurado pela metade – aliás nem lá cheguei, fiquei-me nos 37%. 

- A escrita, como disse, não me cativou. Nem impressionou. Nem marcou a não ser pelo lado negativo. Frases curtas, sequência caótica de ideias, um estilo quase desleixado – a meu ver, claro – que não permitiu ver a ideia geral ou um princípio-meio-fim. Frases sem nexo – 9 em 10, à vontade – com 1 em 10 a safar-se bem, mas mais uma vez a expressão “navegar na maionese” a aplicar-se como uma luva… 

- Os conceitos abordados não são a minha praia e isso acaba por ser culpa minha e um bocado da editora. Minha no sentido de que eu podia ter pesquisado previamente para saber onde me ia meter – ainda que não o faça para não criar expectativas – e da editora no sentido de que podia ter construído uma sinopse menos enganadora e menos vaga – apesar da forma como está vender bem o que alcança os objectivos editoriais e isso não ser chamado para aqui.

Mesmo sem ter lido as outras opiniões antes de lhe pegar, criei expectativas só pelo nome. VHM acaba por ser um dos “pavões” da PE, um dos autores maravilha, um autor de renome, um autor que vende pelo nome. Se calhar estou errada, que não fiquei impressionada com este, se calhar ele alcançou mesmo sucesso com os seus livros anteriores de forma notável pelo seu talento suis generis como dizia uma leitora… não sei, talvez um dia eu descubra. Tenho pena de alguns autores que mereciam maior destaque por parte desta e de outras editoras ficarem aquém de VHM em termos de atenção e respeito… mas isso já é entrar em terreno pantanoso. Paciência, fica para outro dia. 

Resumindo: não terminei o livro, dei-lhe uma estrela, a escrita e o estilo do autor não se me ficaram gravados, a história acabou por ir a reboque e arrastar-me para o aborrecimento já a entrar no campo do ódio e não consegui ver “beleza” ou fascínio algum, positivo ou negativo. Sei que são temas penosos, mas até esses quando bem explorados tocam o leitor. “A Desumanização” não me tocou em nada – e ainda bem. Tudo o que li foi um completo fiasco. 

Talvez um dia consiga voltar a ler algo do autor e apreciar da devida forma. 

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