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"Espera por mim" | Gayle Forman

Espera Por Mim (If I Stay, #2)

Título: Espera por mim
Autor: Gayle Forman
Editora: Presença
Publicação: Setembro | 2014
Título/Publicação Original: Where She Went | 2011
Sinopse: Aqui
Cotação

O primeiro volume desta duologia não me impressionou, talvez devido às expectativas que criei. Termina com um cliffhanger daqueles que nos deixa roídos e intrigados e foi isso que me fez seguir para o segundo.

Comecei a ler este com a mente em branco - ou tentei, pelo menos - e muito sinceramente não contava com a perspectiva do Adam. Sabia, pela sinopse, que tinham passado três anos depois de Mia acordar no hospital e que muita coisa havia mudado para ambos terem a “oportunidade de se confrontar com os fantasmas do passado e de abrir o coração ao futuro”, mas foi agradável e uma boa táctica por parte da autora, é como se dividisse o mal “bem” pelas capelinhas.

Lembro-me de, na opinião ao If I Stay, ter dito que “queria ter gostado mais, queria ter sentido mais, queria ter-me entrosado mais na história”. Foi o que me aconteceu com este. Não sei se devo atribuir a diferença ao crescimento da autora enquanto escritora, se às personagens – devido ao salto temporal de três anos – ou se à perspectiva do protagonista masculino. O que eu sei é que entre o primeiro e o segundo se nota uma diferença brutal, tanto nas personagens, como na escrita, no discurso directo e indirecto, e em pequenos pormenores e detalhes contados pelo Adam e Mia.

O primeiro, como disse, não me abalou muito emocionalmente. É logico que acaba por ser um tópico de interesse, trágico, bastante emotivo, complicado de abordar. Mas a escrita – ou talvez Mia a narrar – fez com que sentisse nada, um vazio inexplicável, era muito focada nela própria e na família com recorrentes analepses – percebi o seu uso, mas não o tolerei, aborreceu-me de morte.

Neste, e muito resumidamente, que não gosto de extrapolar a sinopse, Adam é um músico de renome, juntamente com a sua banda Collateral Damage, um nome um tanto irónico e propositado dada a sua relação com Mia e o que aconteceu entre eles depois de ela acordar do coma. Quanto a Mia, quando li o que lhe tinha acontecido e vi as suas acções e comportamentos, só me apeteceu abaná-la, mas com o desenvolvimento da narrativa comecei a compreendê-la e a apoiá-la, afinal ela perdeu toda a família num segundo e teve de aprender a viver sem eles, a viver em vez de simplesmente existir num tempo e espaço que já não lhe diziam nada.

Foi o que me surpreendeu. A vida de ambos, contada por Adam, as marcas que o acidente deixara neles, o esquecer o lado doloroso e de todos os danos colaterais, o reconstruir de toda uma vida. A ideia da autora deliciou-me: a de os reunir, de os juntar, de os obrigar a uma conversa depois de tantos anos separados, de recordar e confrontar o passado, de evocar memórias de momentos felizes e menos felizes. E embora a emoção – desta vez – tenha passado para mim, e eu tenha conseguido sentir a mágoa e o sofrimento de ambos, não foi uma leitura dolorosa, foi antes uma leitura que me fez torcer pelos protagonistas, queria era que eles se despachassem a falar e ficassem juntos e compensassem o tempo, embora não perdido, um que é impassível de voltar atrás.


E mais uma vez a autora trocou-me as voltas. Este livro fala de dor, sim, e de amor também, principalmente de amor. Fala de segundas oportunidades, de perdão e de reconstrução. À semelhança do primeiro, fala de sonhos – desta vez, concretizados – de expectativas criadas, alcançadas e falhadas. Deixa-nos um trago amargo e relembra-nos que os sonhos, a fama, o sucesso, o materialismo não são suficientes para nos aquecer a cama, a alma, o coração. Precisamos de alguém, precisamos de nós, se não inteiros, então dispostos a querer viver. 

Este livro, esta duologia, acima de tudo, fala da força de vontade, da força de viver. Não de sobreviver, não de existir, mas de viver em plenitude consigo mesmo e com os outros e, principalmente, em paz com o passado. 

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