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"Um Caso Perdido" | Colleen Hoover

Um Caso Perdido (Hopeless, #1)
Título: Um Caso Perdido
Autor: Colleen Hoover
Editora: TOPSELLER
Publicação: Agosto | 2014
Título/Publicação Original: Hopeless | 2012
Sinopse: Aqui 
Cotação
*pode conter spoiler*

Começo por dizer que este livro foi uma prenda de Natal, antecipada, à qual eu não resisti a abrir, e que ter começado esta opinião um dia depois de ter terminado não está a ajudar... simplesmente porque não tenho palavras. No mês de Dezembro, que já conta com 17 dias, li mais histórias que me encheram o coração do que durante o ano inteiro. Dar cinco estrelas é complicado, é muito subjectivo e, tal como para tantos outros leitores, suponho, para mim depende da história, mesmo que tenha gafes ou que ela seja imperfeita aos olhos dos outros, tem de se relacionar com assuntos transcendentes que me toquem na alma e no coraçãoApraz-me dizer que Um Caso Perdido foi uma delas, apesar de podermos brincar com o título... 

Na capa está "viver uma mentira pode ser mais duro do que enfrentar a realidade". Como estudante de psicologia, ou apenas estudante da vida, viver uma mentira é extremamente cansativo a nível mental e psicológico. No entanto, juntamente com a sinopse, a frase parecia-me vaga, igual a tantas outras, e as minhas expectativas ficaram no sítio onde pertencem: em baixo. E ainda bem que assim foi. 

Numa das badanas, aparece um excerto que nos faz saber que Holder, a personagem masculina, tem uma tatuagem - Hopeless. Uma palavra tão poética e misteriosa como estranha. Associei logo a mil e um cenários, com muito drama à mistura. No fim, adorei o seu significado... Do que mais gostei foi da forma como a autora desenvolveu o que, à partida, só nos apresentava uma linha linear, sem altos nem baixos, apenas mais um amor adolescente com um bad boy e uma rapariga estranha. 

Portanto, Hopeless fala-nos de Holder e de Sky, dois jovens que têm a sua cota de mexericos maldosos, boatos espalhados com base nas aparências, e que pura e simplesmente se estão nas tintas para isso. Aqui vi um ingrediente que me agrada bastante: humor. A desenvoltura por parte da autora de incluir outros ingredientes do que aqueles que me saltaram à vista pela sinopse, pela tatuagem hopeless e pela frase críptica acabou por me agarrar. Isto acabou por equilibrar o drama que a história tem. 

Para além dos mexericos, acabam por ter os seus traumas, tão entrelaçados no quotidiano, tão camuflados por tantos aspectos, que mal damos por eles. O ser humano é complexo ao ponto de arranjar as suas próprias barreiras, mecanismos de defesa, formas de continuar a viver, ou o que lhe quiserem chamar, depois de um trauma ou de uma situação insuportavelmente má. E tanto Holder como a Sky, depois dos seus traumas, acabaram por seguir com a sua vida... vivendo a tal mentira, usando os seus recursos para superar.  Fiquei tão possessa com algumas atitudes do Holder, mas acabei por compreendê-lo. E curiosa com as atitudes da Sky. Depois finalmente percebi, Holder encontrou na obsessão um refúgio, o que nem sempre resultou bem para o lado dele ou para quem estava com ele no momento. Este rapaz é tão intenso, tão maduro para a idade dele... obrigado a crescer por variáveis exteriores e interiores impostas pelo mesmo, mas ainda assim... Sky encontrou a sua fuga mental nas estrelas e na contagem, que a levava para um mundo à parte, que a isolava do que a fazia lembrar. 

A carga emocional deste livro não só ficou equilibrada pelas doses q.b. de humor e de drama, como pela narração - feita na primeira pessoa, através dos olhos da Sky - e da sua estrutura com recurso a algumas analepses muito breves. 

Sinceramente nunca pensei gostar tanto. E é difícil falar sobre as personagens e sobre a história sem fazer spoilers - daí o aviso em cima - porque está tudo tão intrincado que falando de um tópico facilmente vem tudo à tona. 

O que aprendi com este livro? O que me fez gostar tanto que tive de dar cinco estrelas? 
- Primeiro a carga emocional que envolveu a história de amor, o passado e o presente de Holder e Sky
- os temas inerentes: abuso sexual, adopção, trauma psicológico e físico, repressão de memórias, obsessão, suicídio, amor incondicional, culpa, sobrevivência, reunião e reencontro, amizade, erotismo, paixão, sacrifício...
- o primeiro amor, com tudo a que tem direito: paixão e loucura, amor e erotismo, ao ponto de roçar a insanidade. 
- o destino... acredito nele. Certas histórias, reais ou fictícias, fizeram-me crente. Não creio que esteja escrito nas estrelas... mas algo faz com que no fim as coisas fiquem acertadas. 

Fico desiludida comigo com esta opinião. Não a escrevi logo depois de ter terminado o livro, como costumo fazer quando adoro de coração, [isto porque era tarde e eu tinha sono] e talvez logo aí tenha perdido um pouco da inspiração e da emoção com que a história me deixou. É pena.

Só posso dizer à pessoa que mo ofereceu: obrigada pela prenda, de coração. É um livro equilibrado, intenso, transcendente. Um livro que nos faz recordar o primeiro amor, o valor da família... e isto já quer dizer muito. 

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