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A arte, a dor e a liberdade...

Três frases para começar:
I’m a ruin.
I can’t have it all.
Marina sabe-a toda. 


Se é sobre o amor ou não, cabe a cada um interpretar da melhor forma que lhe aprouver.                                                                            

Não sei se estes meus posts, digamos mais sentimentais, vieram para ficar, mas sinto a necessidade de escrever, de teclar, de exteriorizar de alguma forma e de ter a ilusão de que alguém os vai ler – mesmo que não comente ou que abra a página e a feche logo a seguir. Enfim. 

A música saiu no princípio deste mês. Já conhecia a cantora e adoro-a! Quem tiver curiosidade, cusque as outras músicas, é ao estilo de Ellie Goulding e Lana Del Rey - pelo menos, gosto de pensar que sim. Quem gostar de Goulding ou da Lana, vai de certeza gostar desta, pronto. 

I’m a ruin. Já pegarei nisto.

I can’t have it all. Sou da geração em que:
1) fui educada a não poder ter tudo. 
2) passava as férias de verão com os meus avós. 
3) não tive direito a televisão no quarto – e, no meu caso, nem porta (a arrecadação fica por cima da sala e foi transformado no meu quarto, serviu o propósito de permitir a mim e ao meu irmão um quarto a cada um, ao menos isso!).

A vida resume-se a escolhas, a saber ouvir não e sim mesmo que não sejam os momentos certos para os ouvir, a ser paciente, a lutar por aquilo que queremos.
O que quero? Não é a eterna questão?

Hoje deu-me para pensar na altura em que comecei a passar para o papel as coisinhas que se desenrolavam na minha cabeça. Nas férias de verão, era ver televisão, ler ou dar numa de dona-de-casa a esfregar os tachos ou a aspirar o chão. Quando me cansava, deitava-me na cama a pensar no que podia fazer mais para  não ceder ao tédio. Lembro-me bem do click, estava a olhar para o tecto quando as primeiras palavras surgiram; o primeiro nome, a primeira personagem, a primeira heroína e o primeiro antagonista. Tenho vinte e três, quase vinte e quatro anos, mas ainda sou do tempo do papel e caneta, o computador veio mais tarde. Escrevia, rasurava até rasgar a folha, acrescentava notas de rodapé até não me encontrar na confusão de tinta e letras ilegíveis que eu própria criava. A minha confusão. E ainda hoje não terminei essa… chamemos-lhe história. Duvido que algum dia consiga.

Antes disso, deixei na gaveta muitos esqueletos de diários, alguns com uma só entrada. Uma criança que sofra de obesidade tem, por norma, um profundo testemunho para partilhar. Eu não fui excepção. Odiava a minha imagem no espelho, a relação com os meus colegas, com as “amigas” que num dia eram e no outro já não; sim, era assim que funcionava “agora quero, agora já não quero”, e estes eram os maiores problemas na altura, e eu apenas com o desejo de querer ser aceite num círculo social por mais fútil que fosse. Temos todos esse desejo. 

Furiosa, escrevia sobre isso.

Escrever fez parte de mim desde que soube juntar as letras; pena, pena foi nunca ter investido, escrevia só quando me sentia triste, quando me dava para esse lado. Escrevia, rasurava, deitava fora. Escrevia, rasurava, deitava fora. Escrevia sobre… tudo e nada.
Escrevia sobre solidão, sobre o meu peso, sobre imagem corporal, sobre amizades, raiva… escrevia sobre o amor, a família, a saudade. Escrevia e inventava um mundo à parte; o meu mundo. E é isto: os que escrevem, os que vivem os sentimentos… têm todos uma alma criativa dentro deles, uma alma que chora e que grita por libertação. No fundo, os chamados escritores, cantores e as pessoas dedicadas à arte de variadas formas e feitios têm uma tristeza sem fundo associada que é colmatada e aprofundada por esse bocadinho de liberdade de expressão. Dá uma certa autonomia e ao mesmo tempo uma clausura. Não se vive sem essa “liberdade” e no entanto…!

Há uns tempos li em qualquer lado “não sei escrever feliz”, ou algo do género. Eu vagueio tanto pela net sem rumo definido que me esqueço de guardar estas pérolas. Um dia coloco aqui o autor, quando encontrá-lo ou quando me lembrar, ou... se me lembrar.  

Na escrita, eu escolho escrevinhar sem destino, sem compromisso e quando me der na telha. Sofrer por isso, ser feliz por isso. Um dia agarro o touro pelos cornos e comprometo-me a escrever à séria e mostrar a alguém. A um ou a vários, doa o que doer. Quando conseguir habituar-me a críticas que ainda hoje me gritam cá dentro – ou mesmo sem conseguir, o meu corpo é jovem mas a cabeça não vai p’ra nova.
Aprendi que uma alma, por muito ou pouco criativa que seja, sofre por dentro; quase sempre em silêncio, quase nunca em liberdade. Já dizia o Pessoa “não sei quantas almas tenho” e na sua multiplicidade estava também em eterna decadência, um pouco como Marina com o seu I’m a ruin.



Resumo: I can’t have it all. Indeed...
Pronto, está escrito. Já são horas, vou dormir ou entregar-me à insónia. Mesmo doente, amanhã tenho aulas e levanto-me às sete.

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