Quando um leitor deixa de ter vontade de ler...

Já não digo blogger, porque há muitos. 
E nem digo pessoa, porque nem todas gostam de ler. 
O conceito certo é mesmo leitor e neste estão incluídos os outros dois. Acho eu. 

Foi assim que 2016 passou. Dividida entre o trabalho e a tese, li apenas dezoito livros e comecei outros tantos que não acabei e, apesar de o tempo ter sido escasso, desta vez não é essa a desculpa. Simplesmente deixei de ter vontade de ler. E, sim, tive de ler imensos livros e artigos para a minha tese e obcequei por ela noite e dia. Dois ou três dossiers não chegaram para os artigos que imprimi, fora aqueles que permaneceram em formato online porque já não tinha pachorra para imprimir mais. 

Mas...

Os meus olhos ficaram cansados. A minha cabeça ficou cansada. O meu corpo ficou cansado. A minha vontade cansada ficou. Foi o ano das séries e dos filmes, mais uma vez. O cansaço e a apatia não me permitiram mais. Depois de terminada a tese e o curso em Novembro, veio uma crise existencial. E agora o que é que eu faço?, a pergunta que fiz a mim mesma ad nauseum. De certa forma, continuo nessa crise; as leituras não se resolveram melhor depois dessa data. 

O que se faz quando um leitor deixa de ter vontade de ler?
É que não é um simples bloqueio ou uma ressaca literária como já aconteceu. Não posso culpar as leituras maravilhosas, porque não li assim tantos que me tirassem a respiração; não posso culpar o trabalho, apesar de gostar menos dele a cada dia que passa (e eu adorava o serviço ao cliente, gente!); não posso culpar os outros, porque foi um ano solitário - apesar de ter tido ajuda de imensas pessoas para acabar a tese. Pronto, não posso culpar nada nem ninguém. Nem sequer a mim mesma. E também não sou uma vítima, resido no meio dos dois talvez. Ou em nenhum e ando a pairar no espaço.

Passou a ser um ano de introspecção. Ainda estou nessa fase, sem saber o que fazer, perdida em mim e neste mundo, a enviar currículos para uma área que julguei fácil de arranjar trabalho. Ah, a ingenuidade!

Resta-me continuar e agarrar-me à determinação que nunca me deixa desistir.
Um dia de cada vez.
O resto logo se vê. 
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